Quase 20 anos após Miss Universo, Natália Guimarães fala sobre beleza e autoestima

Quase 20 anos após Miss Universo, Natália Guimarães fala sobre beleza e autoestima

 

Fonte: Bandeira



Quase duas décadas depois de emocionar o público brasileiro ao conquistar o segundo lugar no Miss Universo 2007, Natália Guimarães volta a ocupar espaço no debate sobre beleza, feminilidade e representatividade, agora sob uma perspectiva bem diferente daquela que marcou sua trajetória nos concursos. Empresária, apresentadora e diretora estratégica do Miss Universe Brasil, ela se tornou uma das vozes que defendem a transformação do universo miss em sintonia com as discussões contemporâneas sobre diversidade, autoestima e identidade feminina.

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Para Natália, a estética deixou de ser o único elemento determinante dentro dos concursos. Em um cenário cada vez mais atravessado por debates sobre autenticidade e pertencimento, ela acredita que o diferencial da mulher brasileira está justamente na pluralidade de histórias, traços e formas de se expressar. "A beleza brasileira está na diversidade", afirma.

A declaração acompanha uma mudança visível na própria estrutura das competições internacionais. Nos últimos anos, o Miss Universo flexibilizou regras históricas e passou a aceitar mães, mulheres casadas e candidatas sem limite de idade — uma reformulação que, segundo Natália, aproxima o concurso da realidade vivida pelas mulheres fora das passarelas.

A lembrança de sua participação em 2007 ainda ocupa um lugar afetivo no imaginário popular. Na época, Natália foi eleita Miss Brasil e terminou a competição internacional, realizada no México, como vice-campeã, resultado que segue entre os mais emblemáticos do país no concurso. Hoje, no entanto, ela diz enxergar o papel das misses de maneira mais ampla, especialmente no que diz respeito à saúde mental, equilíbrio emocional e maternidade.

Natália Guimarães explica por que concursos de beleza vivem nova transformação

Reprodução Instagram

Mãe das gêmeas Maya e Kiara, Natália afirma que sua relação com o autocuidado também mudou ao longo dos anos. A ideia de perfeição estética, antes central no universo dos concursos, passou a dividir espaço com uma visão mais ligada ao bem-estar e à qualidade de vida.

"A vida real é muito mais profunda do que uma imagem perfeita", declara ao comentar o impacto das redes sociais sobre mulheres jovens e a pressão constante por validação online.

Natália Guimarães explica por que concursos de beleza vivem nova transformação

Reprodução Instagram

Segundo ela, a internet ampliou a liberdade para discutir autoestima e diversidade, mas também intensificou comparações e cobranças irreais. "A internet mostra recortes", observa, ao refletir sobre os efeitos da superexposição digital na construção da autoimagem feminina.

A fala surge em um momento simbólico para o setor. Prestes a completar 72 anos em 2026, o Miss Brasil vive uma tentativa de reposicionamento cultural e busca recuperar parte da relevância que teve durante décadas na televisão aberta e no entretenimento nacional. Nesse contexto, Natália acaba simbolizando a transição entre duas fases distintas: a era do glamour tradicional dos concursos e uma nova geração que cobra identificação, pluralidade e propósito.

Natália Guimarães é casada com o cantor Leandro, com quem tem duas filhas

Reprodução Instagram

O movimento também acompanha mudanças na indústria do entretenimento e da influência digital. Em vez de apostar apenas em padrões estéticos rígidos, marcas e plataformas passaram a valorizar mulheres com discurso próprio, trajetória consistente e capacidade de conexão com o público, atributos que hoje ocupam um espaço tão importante quanto a aparência.

À frente dessa nova fase do concurso, o empresário Rodrigo Ferro afirma que a proposta do Miss Universe Brasil é refletir um país mais plural. "Buscamos mulheres preparadas, com voz, propósito e capacidade de representar o país no Miss Universo", explica. Segundo ele, a edição deste ano pretende conectar "o Brasil real, plural e contemporâneo".