Por Bruce WilliamPostado em 30 de outubro de 2026 Quando o AC/DC desembarcou na Inglaterra, em 1976, o punk começava a ganhar força e a indústria musical procurava aproveitar a novidade.
Com suas músicas rápidas, guitarras barulhentas, apresentações explosivas e a figura nada convencional de Bon Scott, os australianos pareciam candidatos naturais a entrar naquela onda. Havia apenas um problema: Malcolm e Angus Young não queriam saber de ser chamados de punks.
A situação chegou ao ponto de a gravadora sugerir que o grupo fosse promovido como parte do movimento. Malcolm relembrou o episódio numa entrevista concedida em 2003 ao jornalista Paul Elliott, posteriormente recuperada pela Classic Rock.
"Quando chegamos à Inglaterra, em 1976, a gravadora queria nos vender como uma banda punk. Mandamos eles se foderem!", contou o guitarrista.
Para os irmãos Young, o AC/DC era simplesmente uma banda de rock and roll, formada na tradição de Chuck Berry e do blues elétrico. A simplicidade das composições podia aproximá-los dos grupos punk aos olhos de jornalistas e empresários, mas aquela semelhança não significava que compartilhassem a identidade do movimento.
Mesmo assim, a banda acabou dividindo apresentações com artistas da nova cena britânica. E foi aí que começaram alguns problemas.
Cuspir nos músicos havia se tornado uma prática em determinados shows punk, mas os integrantes do AC/DC não estavam dispostos a aceitar aquele tipo de recepção. Em entrevista à Guitar World, Angus recordou: "Não éramos uma banda punk, mas nos colocavam nos mesmos shows que bandas punk.
E eles levaram um belo susto quando começaram a cuspir na gente e nós cuspimos de volta". Malcolm contou uma versão ainda mais agressiva dos confrontos.
Segundo ele, quando algum integrante era atingido por uma cusparada, os músicos chegavam a descer do palco para agredir os responsáveis. Bon Scott também não tinha muita paciência com as provocações.
O vocalista costumava ameaçar arrancar os alfinetes de segurança usados por alguns frequentadores, caso continuassem incomodando a banda. Angus tampouco demonstrava entusiasmo pela ideologia associada ao punk.
Em entrevista recuperada pela Kerrang!, afirmou que os grupos estavam interessados em vender a ideia de anarquia como uma declaração política, enquanto o AC/DC preferia cantar sobre carros, mulheres e diversão, seguindo a tradição de Chuck Berry. O guitarrista chegou a brincar que precisou consultar um dicionário quando ouviu a palavra "anarquia" pela primeira vez.
A resistência aos rótulos não terminou com a explosão punk. Anos depois, quando o AC/DC passou a ser frequentemente classificado como heavy metal, Angus continuou reclamando das definições impostas ao grupo.
Para ele, a proposta permanecia a mesma dos primeiros tempos: tocar rock and roll da maneira mais intensa possível, independentemente da moda ou da categoria escolhida pela imprensa. O curioso é que a convivência turbulenta com os punks não impediu o AC/DC de conquistar seu espaço no Reino Unido.
Na segunda metade dos anos 1970, álbuns como "Let There Be Rock" e "Powerage" ajudaram a consolidar a identidade musical da banda, que preferiu continuar apostando nos próprios riffs a aceitar a imagem que a gravadora pretendia lhe vender.
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