Quando os bancos vão começar a operar o Desenrola 2.0? Entenda como problemas técnicos atrasam renegociação
O Desenrola 2.0 entrou em vigor nesta terça-feira (dia 5), mas pode terminar o dia sem qualquer contrato fechado. O programa para renegociar dívidas, lançado pelo governo federal, começaria hoje, mas nenhum dos bancos procurados pelo EXTRA deu início às negociações por problemas de conexão com o sistema do Fundo de Garantia de Operações (FGO). Parte dos recursos desse fundo serão usados para pagar os bancos em caso de calote dos beneficiários do programa. Por isso, a conexão entre os softwares é tão importante.
Alguns bancos, como Banco do Brasil e Bradesco, já têm até site para os interessados se inscreverem, mas não conseguem abrir a negociação dos débitos. E não há previsão de quando as instituições vão começar a ofertar a renegociação, segundo o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, afirmou em entrevista à colunista do Jornal O Globo Miriam Leitão.
Apesar de lançado pelo governo na segunda-feira, quem fará a ponte com os endividados serão as próprias instituições em que eles têm conta bancária ou contrataram empréstimos. Não haverá uma plataforma única como na primeira fase do Desenrola em 2024.
Isaac Sidney afirmou que a maior parte dos bancos que têm participação relevante nas três linhas contempladas no Novo Desenrola — cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal direto ao consumidor (CDC) — está apta a realizar a repactuação das dívidas. Mas que de fato há uma questão tecnológica.
Mesmo assim, a Febraban estima que o programa possa alcançar 27,7 milhões de pessoas que hoje possuem R$ 97,3 bilhões em dívidas.
Estudo divulgado nesta terça-feira pela Serasa aponta que o número de pessoas com dívidas em atraso, os chamados inadimplentes, já chegava a 82,8 milhões em março deste ano, alcançando novo nível recorde, e chegando a 49% da população adulta.
O que dizem os bancos
Ainda na segunda-feira, logo após o lançamento oficial do Desenrola 2.0., algumas instituições financeiras já alertavam que questões técnicas de conexão entre APIs (conexões inter sistemáticas) dos bancos com o sistema do governo impedia a definição de um prazo de início das propostas de renegociação.
O Itaú disse em nota que trabalha na implementação da nova fase do programa e, com a publicação da medida provisória que cria o Desenrola 2.0, vai disponibilizar as ofertas de renegociação aos clientes elegíveis em todos os seus canais.
O Bradesco também vai aderir ao programa, e afirmou que só aguarda as autorizações do Fundo de Garantia de Operações (FGO) para o início das renegociações. O banco, que já disponibilizou uma página para pré-cadastro a interessados, disse ainda que vai disponibilizar um programa com condições próprias aos devedores que não se enquadrem no perfil do Desenrola 2.0, seja por diferença nos prazos dos atrasos ou por renda superior ao estabelecido pelo programa.
O Santander informou que está realizando os testes necessários para iniciar a oferta do serviço aos clientes o mais brevemente possível, mas também não informou o prazo.
O C6 Bank confirmou que vai aderir ao programa Novo Desenrola Brasil. "Assim que estiverem devidamente estabelecidas as ferramentas tecnológicas (APIs) que permitem a conexão das instituições financeiras com o FGTS e o FGO, o C6 Bank oferecerá ao cliente a possibilidade de renegociação de dívida por meio do programa", disse em nota.
O Nubank confirma a participação no programa, mas afirmou que não tem informações sobre como vai funcionar a solicitação na plataforma.
O Banco do Brasil se limitou a dizer que está preparando um material informativo aos clientes sobre o tema. A Caixa ainda não respondeu ao contato.
