Qual foi o prêmio que o cão Hulk da PM ganhou por encontrar 48 toneladas de maconha na Maré?

 

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A maior apreensão de drogas realizada no Brasil até hoje, com cerca de 48 toneladas de maconha apreendidas, teve como principal responsável pelo feito o cão Hulk, do Batalhão de Ações com Cães (BAC). Escondida dentro de uma cisterna em uma laje de uma construção abandonada, na comunidade da Nova Holanda, no Complexo da Maré, as drogas passaram despercebidas pelos agentes, mas não ao faro de Hulk, descrito como "agitado" pela corporação.

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Quando passava pelo local junto aos militares, Hulk começou a ficar inquieto, deixando os agentes desconfiados, já que de início o local não chamava a atenção.

— Os agentes estavam verificando a área, mas estava tudo vedado, concretado. Só que quando o Hulk começou a farejar, ele ficou muito agitado, mudou o comportamento. Os agentes desconfiaram, começaram a quebrar o concreto da cisterna e encontraram a droga — conta o comandante do BAC, tenente-coronel Luciano Pedro Barbosa.

Hulk, descrito como um cão agitado, leva uma vida pacata e sem exageros. Come apenas ração e suplementos alimentares, para não comprometer a dieta, e como brinquedo favorito tem a bolinha de tênis.

— A recompensa deles é o brinquedo. Quando eles vêm de grandes apreensões, a gente deixa que eles fiquem mais tempo com a bolinha, por exemplo. Como o instinto de caça deles é bem alto, acabam destruindo o brinquedo porque querem muito ele. E também é uma forma de eles desestressarem — explicou o sargento do BAC Wildemar de Oliveira, condutor de Hulk.

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Segundo Barbosa, durante o treinamento, sempre que localizam o alvo, os cães são recompensados com a bolinha de tênis.

— Nas operações, eles não buscam a droga em si, mas a bolinha de tênis, a recompensa que eles querem, porque é dessa forma que aprendem no treinamento. É como se fosse o prêmio deles — completou.

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Dentro da construção, no último andar, os agentes acharam a cisterna. Ao quebrar a estrutura, foi localizada uma espécie de bunker improvisado, utilizado para armazenar a droga. De acordo com o comandante do BAC, os militares tiveram que rastejar por baixo da cisterna, já que o espaço era limitado. No fim, estava no esconderijo das 48 toneladas, dispostas em mais de 20 mil tabletes de maconha, cada um com cerca de 1kg a 1,5kg e embalados em sacos plásticos e caixas de papelão.

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Da raça pastor-belga-malinois, Hulk foi doado à corporação ainda filhote, aos seis meses, por um militar que não tinha nem tempo e nem espaço em casa para cuidar do animal, que em média mede 60cm quando adulto. Desde então, ele participa de treinamentos na sede do batalhão.

O sargento Oliveira conta que o cão já era destaque da corporação por conta da participação em outras operações. Em 2024, ele já havia encontrado cerca de 1 tonelada de drogas no Parque União, também na Maré.

— Ele está há quatro anos com a gente e participa das ações há dois. Já participou de várias apreensões, mas essa, sem dúvida, é a mais importante até agora. Ele e o Djoco (outro cão que também participou da ação) dividem uma placa de destaque no batalhão por alguns feitos — destaca o sargento, que já pensa em outra forma de homenageá-lo. — Na sede do batalhão tem uma estátua de um cão que conta a história do BAC e a gente (corporação) está até vendo de fazer uma do Hulk, porque dificilmente outro cão vai fazer esse feito de 50 toneladas.

Como é o treinamento de um cão do BAC?

A rotina dos cães do BAC inclui treinamentos desde os 6 meses de vida. De acordo com o comandante da unidade, o batalhão já realiza a própria reprodução dos animais.

— Observamos o comportamento deles ainda filhotes. Aqueles que demonstram mais iniciativa e impulso já indicam maior predisposição para o trabalho policial. Por exemplo, os que correm mais rápido para mamar na mãe — explica o tenente-coronel Barbosa.

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A partir dos seis meses, os cães iniciam o treinamento de faro, voltado à detecção de armas, drogas e explosivos.

O comandante ressalta não haver contato direto dos animais com os entorpecentes, já que eles são mantidos em recipientes de plástico.

— Muita gente acha que o cão tem o contato com a droga direto, mas não tem. O cão possui capacidade olfativa muito superior à humana e consegue identificar partículas mínimas de odor — afirma.

O processo de formação dura, em média, um ano e meio a dois anos. Após este período, os animais são considerados aptos para atuar em operações.

Além de Hulk, participaram da ação outros cinco cães do batalhão: Iria e Ímpar, ambas de 2 anos e filhas de Hulk, além de Djoco, de 7 anos, Royce, de 2, e Shark, de 1 ano.

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Fabiano Rocha / Agência O Globo

Os cães de faro costumam se aposentar por volta dos 8 anos de idade e, na maioria dos casos, são adotados pelos próprios condutores, explica o comandante do BAC:

— Existe a possibilidade de a gente fazer essa doação para terceiros, mas aí a gente precisa fazer uma pesquisa social para saber se aquela pessoa vai ter condição de tratar tão bem o cão como a gente trata, para que ele tenha um final de vida tranquilo. Mas, normalmente, é o próprio policial (condutor) que leva para casa.

O sargento Oliveira, condutor do Hulk, afirma que já pretende adotá-lo quando ele se aposentar:

— Criamos um vínculo muito forte. Tenho espaço em casa e, quando ele se aposentar, vou adotá-lo.

Planejada para combater facções criminosas das comunidades Nova Holanda e Parque União, ambas no Complexo da Maré, a operação começou na terça-feira e mobilizou 250 policiais militares de unidades do Comando de Operações Especiais (COE), do Comando de Polícia Especializada e do 22º BPM (Maré). Na ação, também foram apreendidos cinco fuzis e quatro pistolas e recuperados 26 veículos roubados, entre carros e motocicletas.