'Qual a motivação?' e falta de provas: o que sustenta a defesa de Rivaldo Barbosa no julgamento do caso Marielle
O primeiro a argumentar no retorno do julgamento do caso Marielle Franco e Anderson Gomes, após a pausa para o almoço nesta tarde, foi o advogado Felipe Dalleprane, que defende o ex-chefe de Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa. Ele defendeu que não há indícios de que seu cliente tenha envolvimento com a morte da vereadora e de seu motorista, assim como afirma que há ausência de provas contra o delegado. Sua fala começou, inclusive, com a pergunta: "Qual a motivação de Rivaldo Barbosa?", pontuando que esse foi "um elemento que a investigação não soube responder".
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O advogado ainda defendeu que não há elementos que apontem ainda para a participação de Rivaldo em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.
— Não existe fofoca contra o delegado Rivaldo Barbosa — disse o advogado. — Depois de mais de 60 diligências, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, do Ministério Público do Rio) não encontrou nenhum elemento que ensejasse o oferecimento de denúncia, seja em relação ao assassinato de Marielle e Anderson, e muito menos de corrupção e lavagem de dinheiro.
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Outro ponto levantado pelo advogado é que o que há contra o cliente são "ilações" sobre as atuações em seus cargos públicos.
— Só que isso não é prova — ponderou Dalleprane.
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Um dos depoimentos usados pela defesa de Rivaldo é o do delegado Brenno Carnevale, que "não faz nenhuma imputação" contra o ex-chefe de Polícia Civil, diz o advogado. De acordo com Dalleprane, Brenno falou em suspeitas de corrupção na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), mas, sustenta o advogado, "o julgamento não é contra a delegacia".
A estratégia da defesa de Rivaldo foi trazer depoimentos antigos para sustentar seus argumentos, como o de que "não houve nenhuma ingerência política" na escolha de Rivaldo Barbosa no caso, conforme relatado, anteriormente, no depoimento do general Richard Nunes, secretário de Segurança Pública durante a intervenção federal no Rio.
'Grande indignação' de Rivaldo
Outro advogado de Rivaldo Barbosa a falar foi Marcelo de Souza, que sustentou que não há provas de contato entre o ex-deputado Chiquinho Brazão, o ex-conselheiro do Tribunal de Contas Domingos Brazão e seus assessores com o ex-chefe de Polícia Civil. O advogado mencionou que "nada foi encontrado" no telefone ou no notebook do cliente, o que causou "grande indignação" no delegado, réu no caso.
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