Quais produtos EUA deixaram de fora da possível taxa de 25% contra Brasil? Café, carne e mais estão na lista
O governo dos Estados Unidos deixou diversos produtos de fora da proposição de tarifas de 25% contra o Brasil nas investigações do Escritório de Representante Comercial. A informação está na conclusão da investigação contra o Brasil na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Esse documento preliminar aponta que políticas brasileiras sobre comércio digital, desmatamento ilegal e propriedade intelectual restringem ou oneram o comércio norte-americano.
O documento do governo americano propõe a imposição da tarifa de 25% sobre “todas as mercadorias” brasileiras, mas exclui bens considerados estratégicos para o abastecimento da economia dos Estados Unidos.
Ficam isentos do imposto de importação produtos agropecuários como carne bovina, café, frutas tropicais, além de petróleo, minérios, terras raras, aviões, fertilizantes e produtos farmacêuticos.
Entre o listado pelo documento estão:
Carnes frescas, resfriadas ou congelada, assim como míudos, como fígado e língua;
Café (todos os tipos), chás, mate;
Especiarias, como cravo, noz-moscada e mais;
Todos as aeronaves civis e todas as peças possíveis, assim como componentes, conjuntos, partes, etc;
Helicópteros pequenos e grandes e drones também;
Castanhas, como a do Brasil e caju, além de frutas, caso de bananas, abacaxis, manga e mais. Medida também serve para laranja e suco de laranja;
Produtos de farmácia e químicos, como vacinas, antibióticos, vitaminas e mais;
Produtos eletrônicos especiais, como computadores portáteis, dispositivos de armazemaneto, processadores, entre outros;
Por fim, também estão minérios e combustíveis, como cobre, alumínio, de ferro e óleos de petróleo bruto e derivados.
Mas qual o motivo da nova tarifa?
O relatório norte-americano acusa o Brasil de prejudicar a concorrência ao punir plataformas de tecnologia dos Estados Unidos que descumprem ordens de remoção de conteúdo.
Washington também alega que o Banco Central concede tratamento preferencial ao Pix em detrimento de empresas de cartão de crédito.
O governo americano contesta os acordos comerciais do Brasil com México e Índia e aponta falhas históricas na fiscalização contra o desmatamento ilegal.
Washington critica ainda a falta de reciprocidade tarifária na importação do etanol e a lentidão excessiva no exame de patentes industriais no mercado brasileiro.
A investigação havia sido iniciada em 15 de julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump.
O que acontece agora?
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso.
Brendan SMIALOWSKI / AFP
O anúncio de Washington estipula o prazo legal de 15 de julho para que o Brasil adote medidas corretivas antes da aplicação definitiva das taxas.
A proposta norte-americana abre um período de consulta pública para receber comentários do setor privado a partir do dia 22 de junho.
As próximas datas, então, serão as seguintes:
Até o dia 22 de junho - Prazo para solicitações de comparecer à audiência pública, junto de um resumo de depoimento;
Até dia 1º de julho: Prazo para comentários por escrito sobre as medidas do escritório;
Dia 6 de julho: Audiência pública do escritório para debater as ações;
Dia 15 de julho: Prazo final para definição e aplicação das medidas.
De acordo com o embaixador e Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, o governo americano mantém um diálogo intenso com o governo do presidente Lula, mas ainda há divergências substanciais nas questões identificadas na investigação.
O Palácio do Planalto já aguardava a divulgação de sanções, mas esperava que a recomendação não trouxesse uma aplicação de taxas imediata.
Nessa segunda (1), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o novo tarifaço está sendo aplicado por motivos políticos e não técnicos.
Ao anunciar o novo tarifaço, o Escritório de Representante Comercial dos Estados Unidos aponta que o Brasil falha no combate à corrupção e cita a anulação de processos da Operação Lava-jato pelo Supremo Tribunal Federal.
O relatório critica a renegociação de acordos de leniência e aponta a queda do país no Índice de Percepção da Corrupção.
O governo dos Estados Unidos estabeleceu um cronograma de consultas e audiências públicas antes da aplicação definitiva de qualquer sanção econômica contra o Brasil.
Durante a fase inicial da investigação, o órgão já havia colhido depoimentos de mais de 30 testemunhas e recebido mais de 295 comentários e réplicas antes de emitir o parecer atual.
