Quaest e Datafolha: 'muito ruim' para Lula, apesar de empate técnico; colunistas do GLOBO analisam pesquisas

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

As últimas pesquisas da disputa presidencial antes do segundo turno foram divulgadas na noite deste sábado. Em live comandada pela jornalista Vera Magalhães, transmitida pelo YouTube, os colunistas do GLOBO analisaram as projeções de Datafolha e Quaest, ambas de 51% dos votos válidos para o senador Flávio Bolsonaro (PL), ante 49% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Na avaliação de Lauro Jardim, Lula pode ter atingido um limite: — O que a gente pode inferir de tudo isso é o seguinte: desde o início do segundo turno, incluindo as duas pesquisas de hoje, em nenhuma delas o Lula apareceu na frente.

No máximo, apareceu empatado na quinta-feira. E hoje, de novo, o Flávio voltou a abrir uma pequena diferença.

Está dentro da margem de erro, mas acho importante ressaltar. Acho que ele foi crescendo desde a votação do primeiro turno, mas aparentemente alcançou um teto.

Já Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, entende que o Datafolha deste sábado é "muito ruim" para o petista, apesar do cenário ser de empate técnico, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Na pesquisa anterior, de quinta-feira, ambos tinham 50%.

— O que muda na prática é que a chance do Lula estava ou está na virada, na maré favorável do final. O presidente (Jair) Bolsonaro teve um pouquinho a mais (de votos) do que o Datafolha deu na eleição passada, em 2022, no segundo turno.

Se o Datafolha hoje mantivesse o resultado da última onda ou subisse um pouquinho para o Lula, a chance de virada era um pouco mais real, um pouco mais palpável — avalia. Ele cita de exemplo a campanha tardia e a ausência de debates entre Flávio e Lula no primeiro turno como fatores desta mudança no tom da disputa no segundo turno:

— (A pesquisa) constata que aquele sprint final, aquela onda a favor dos novos eleitores não apareceu ainda nas pesquisas ou não está sendo (visto) na velocidade que poderia estar. Quem ganhou o debate da Globo, Flávio Bolsonaro ou Lula? Colunistas do GLOBO dão notas e avaliam

Se concretizada, uma eventual virada pode estar nos telefones dos eleitores, conforme abordado na live do GLOBO. Thomas Traumann, por exemplo, ressalta que o canal de WhatsApp "Exército do Lula", comandado pelo deputado federal André Janones (Rede), pode impactar nas urnas.

— Dez milhões de pessoas (inscritas no canal) não vão sair amanhã às ruas para ir em todos os locais de votação. Mas e se for metade? E se for um quarto? Se elas decidirem que vão nos locais de votação para mostrar presença, é óbvio que isso vai ter peso — observou.

Avaliação das campanhas de Flávio e Lula Bela Megale, por sua vez, trouxe bastidores sobre a avaliação das campanhas a partir das projeções da véspera do pleito.

Segundo apurado pela colunista do GLOBO, a equipe de Flávio está com um "otimismo maior" e "não vê surpresa" na oscilação positiva do filho de Jair Bolsonaro. A expectativa dos aliados do senador é de uma vitória neste domingo por 5 milhões de votos de vantagem sobre Lula.

— Mas a cúpula da campanha do Flávio está falando que sabe que o cenário ainda não está resolvido. Veem favoritismo, estão confiantes, mas estão com os pés no chão.

E a ordem foi trabalhar até o último minuto — detalhou, ressaltando que pesquisas internas dos candidatos do PL e do PT já apontavam para uma vantagem de Flávio. No entorno de Lula, por outro lado, a aposta é em diminuir a abstenção, tentando levar para as urnas quem não votou no primeiro turno.

— Não dá para negar que as pesquisas Quaest e Datafolha foram um banho de água fria (para Lula), porque já mostraram um cenário de empate numérico e agora ambas mostram Flávio Bolsonaro na frente. Só que, por outro lado, teve um ânimo muito grande das ruas: Avenida Paulista muito cheia, Copacabana muito cheia.

Essa mobilização da esquerda é algo novo, faz tempo que o petismo não via — completou a colunista. Com a Palavra: levantamento com IA mostra que Flávio explorou mais termos como ‘dívida’ e ‘Bolsa Família’ em debate, e Lula focou em ‘salário mínimo’ e ‘Polícia Federal’

Debate da TV Globo mudou algo? Durante a live, foi destacado que as entrevistas do Datafolha foram divididas: metade foi feita na sexta-feira, e a outra metade neste sábado, portanto um dia após o debate da TV Globo.

Lauro Jardim, por exemplo, mencionou que Lula teve fatores a seu favor no embate, como a menção à morte da menina Ana Clara, caso em que Flávio advogou para o PM Bruno Dias Delarolli, suspeito de ter atirado na vítima. — O fator Ana Clara (cuja mãe estava na plateia) e o erro dos "nove dedos" (citado por Flávio, em referência ao acidente de Lula) beneficiaria o petista.

Mas isso foi claramente eclipsado pelo erro do "Vou acabar com a polícia" (fala dita por Lula quando desejava se referir à milícia) — avaliou Lauro, mencionando, ao fim, que o deslize de Lula serviu como munição para o adversário. Para ilustrar o tema, Vera Magalhães trouxe um dado do Datafolha: 98% dos entrevistados que assistiram ao debate da Globo disseram que não mudaram de ideia após o desempenho dos candidatos na TV, enquanto apenas 2% disseram ter mudado.

— O Datafolha é, de certa forma, uma ducha de água fria na campanha do PT, que esperava uma melhora ali, uma onda, nessa última hora e praticamente não houve — complementou Fabio Graner. Atenção, eleitores: Quem não votou em primeiro turno pode votar no segundo? Entenda

Em outro momento, Graner comentava ainda outro dado, mas da Quaest, sobre o que dá mais medo: a reeleição de Lula ou a volta dos Bolsonaro ao poder. Na pesquisa divulgada neste sábado, 45% apontam como maior medo a eleição de Flávio, um ponto a mais que o da divulgação anterior.

Reeleição de Lula, por sua vez, manteve os 42%. — A rejeição não se mexe, o medo do (Flávio) Bolsonaro sobe, mas, ao mesmo tempo, o Flávio, na margenzinha, subiu em intenção de voto (...).

É curioso: de um lado, mais medo; de outro, mais voto — disse Graner. Vera Magalhães completou o diálogo com um questionamento:

— Talvez seja o debate? Acho que o debate (da TV Globo) pode ter funcionado a favor do Flávio, apesar de tudo. De fato, essa fragilidade (de Lula) ficou muito patente, porque ele muitas vezes se perdeu com o tempo, chegou a dizer que não estava ouvindo e perguntando se o Flávio estava falando baixo de propósito.

Isso, em um evento que é televisivo e chega às pessoas pela impressão que causa, pode ser muito deletério para quem precisa promover uma virada. e-Título: como baixar e usar no dia da eleição 2026; confira o passo a passo

Os indecisos e abstenção Em diferentes momentos da live, o tema da abstenção e de votos brancos e nulos esteve em pauta.

Thiago Bronzatto, diretor da sucursal do GLOBO em Brasília, lembrou algo apurado pelo Datafolha nesta semana: que Flávio tem a maioria dos eleitores que moram perto de onde votam, enquanto Lula leva vantagem entre aqueles que moram longe do local de votação. Por isso, a campanha petista precisa de um esforço maior para convencer seus eleitores a ir às urnas.

Renato Meirelles usou um dado da Quaest para questionar se os indecisos irão fazer uma escolha até domingo: — A pesquisa Quest mostra que, no espontâneo, 7% das pessoas se dizem indecisas.

Essas pessoas vão decidir? A resposta dessa pergunta é o que vai dizer se os resultados da pesquisa apontaram o novo presidente da República ou não.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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