O presidente da Rússia, Vladimir Putin, se reuniu nesta terça-feira (1) com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, à margem da reunião do Conselho de Chefes de Estado da Organização de Cooperação de Xangai.
Putin disse a Pezeshkian que a Rússia se solidariza com o povo iraniano em sua luta contra os Estados Unidos e Israel, segundo relatado pela Al Jazeera.
Putin também afirmou que a Rússia e o Irã manterão suas relações econômicas e comerciais, apesar do atual cenário político e militar.
A afirmação ocorre em meio as ameaças dos EUA de impor um novo regime de sanções contra qualquer país que coopere economicamente com o Irã, incluindo seus aliados próximos, Rússia e China.
O presidente russo ainda comentou que o país está prestando 'assistência necessária' ao país neste momento, sem explicar como isso estava sendo realizado.
Por sua vez, o presidente iraniano agradeceu ao líder do Kremlin por sua posição no conflito entre Irã e os Estados Unidos e Israel.
Pezeshkian expressou 'confiança na capacidade de resistir às sanções dos EUA' durante a reunião.
'A relação entre nossos países é estratégica.
Estamos convencidos de que este é o caminho certo para combater o unilateralismo dos EUA.
Podemos neutralizar todas as sanções que nos foram impostas.
Dentro de organizações como a OCX e outras, podemos contornar todas as ações unilaterais e cooperar multilateralmente', afirmou, segundo a agência de notícias russa RIA.
Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, participando de uma reunião na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) em Bishkek, no Quirguistão.
Iranian Presidency/AFP
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta terça-feira (1) que o retorno dos Estados Unidos a uma política de pressão e ameaças poderia comprometer os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
'A violação reiterada, por parte dos Estados Unidos, dos seus compromissos ao abrigo do Memorando de Entendimento de Islamabad demonstrou que a ausência de garantias efetivas de aplicação e o regresso a uma política de pressão e ameaças podem comprometer o caminho da diplomacia', afirmou Pezeshkian num discurso proferido na cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, no Quirguistão.
A cúpula tem participação de outros líderes, como o presidente russo, Vladimir Putin, e o chinês, Xi Jinping.
Em uma publicação nas redes sociais nesta segunda-feira (31), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou o Irã de uma 'nação falida', afirmando que o país 'está morto'.
A afirmação reverbera de outras anteriores, em que Trump diz que o país está com problemas na economia e sem exército para prosseguir a guerra.
Nessa, o republicano completou dizendo que a 'sua liderança está em completa desordem e incapaz de representar adequadamente o país'.
'A única coisa que eles têm são notícias falsas dos Estados Unidos, uma vontade de matar manifestantes (mais de 100 mil mortos agora.
Eles devem ser julgados por crimes de guerra contra a humanidade!) e uma boa dose de 'mentira'', escreveu.
Ataque dos Estados Unidos contra o Irã.
Reprodução
Depois, em entrevista à Fox News, ele prometeu uma resposta aos ataques iranianos a bases americanas na Jordânia.
Do outro lado, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou também nesta segunda que o país ainda busca uma negociação para o fim da guerra com os EUA.
Ele vai se reunir no Quirguistão em uma cúpula com o presidente da China, Xi Jinping, e o da Rússia, Vladimir Putin.
Forças americanas atacaram nesse domingo (30) lançadores de foguetes iranianos na ilha de Larak, no estreito de Ormuz, no primeiro ataque militar contra o país em um mês, segundo informou um oficial.
O presidente Donald Trump afirmou na terça-feira que a Marinha dos EUA removeu ou detonou todas as minas no estreito, a importante via marítima que o Irã efetivamente fechou desde o início da guerra entre os dois países no final de fevereiro.
Em comunicado, o Comando Central dos EUA afirmou ter tomado medidas "limitadas e precisas" no domingo contra as forças de minagem da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), que representavam uma "ameaça iminente" no Estreito de Ormuz.
A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que o ataque matou e feriu vários soldados e civis e prometeu uma 'resposta e punição' por parte de Teerã, de acordo com a mídia estatal iraniana.
O Irã respondeu lançando um ataque contra duas bases americanas na Jordânia, segundo a mídia iraniana.
As forças armadas da Jordânia informaram ter interceptado oito mísseis que penetraram o espaço aéreo do país na madrugada de segunda-feira.
O retorno às hostilidades ocorre após semanas em que o governo Trump intensificou os esforços para punir Teerã e seus parceiros comerciais com sanções econômicas, abandonando as opções militares.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse no domingo que novas sanções secundárias provavelmente serão anunciadas semanalmente, em um esforço para pressionar o Irã, com foco inicial nos bancos.
'Estamos começando pelos bancos e dizendo a eles que não é aceitável ter dinheiro iraniano e ajudar o regime', disse Bessent.
Após impor sanções às filiais do Banque Misr do Egito nos Emirados Árabes Unidos na sexta-feira por supostas ligações financeiras com o Irã, Bessent disse que o próximo passo pode ser cortar completamente o acesso da instituição ao sistema financeiro baseado no dólar.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Divulgação/Casa Branca
