Pulseira criada por alunos do MIT reduz tremores e é liberada pela FDA para uso médico

Pulseira criada por alunos do MIT reduz tremores e é liberada pela FDA para uso médico - Foto
Fonte da notícia: Epoca Negócios Epoca Negócios

Alunos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, desenvolveram uma pulseira eletrônica que ajuda a reduzir tremores nas mãos. Quando iniciaram o projeto, ele era focado na doença de Parkinson, contudo, acabou voltado para pessoas que sofrem de tremor essencial, um distúrbio neurológico que provoca tremores involuntários e rítmicos, principalmente nas mãos e braços.

Tudo começou em 2017, nas aulas da disciplina design de produto 2.009. Logo no início do curso, os estudantes foram divididos em grupos e tiveram de apresentar dezenas de ideias de produtos em potencial.

Daniel Carballo propôs um dispositivo vestível que utiliza vibração mecânica para enviar sinais ao cérebro e reduzir tremores, e seus colegas gostaram da ideia. “O conceito inicial foi inspirado por aulas de robótica que fiz sobre controle neural do movimento.

Eu tinha uma compreensão preliminar de como um dispositivo eletromecânico poderia interagir com os sistemas de controle do corpo e os circuitos de feedback que controlam o movimento para aliviar o controle patológico do movimento”, contou Carballo ao MIT News. Ao longo das aulas, seu grupo focou no desenvolvimento do produto.

Um protótipo foi testado por um trabalhador da construção civil e apresentado em um auditório do MIT há nove anos. O resultado despertou o interesse de outras pessoas, que procuraram os estudantes para saber como poderiam adquirir o aparelho.

Diante disso, eles decidiram criar uma empresa, a Encora Therapeutics. O primeiro ensaio clínico da pulseira foi realizado em 2022 com 20 pacientes com Parkinson, em colaboração com o hospital MassGeneral Brigham.

Mas os envolvidos descobriram que mais pacientes vivem com tremor essencial. “Era uma necessidade não atendida maior”, disse Carballo.

“Há muitos medicamentos sendo desenvolvidos para a doença de Parkinson, mas o tremor essencial não passou pela mesma inovação.” Uma das abordagens atuais para o tratamento dessa condição é a cirurgia, que envolve a perfuração do crânio para inserir eletrodos que estimulam novos padrões elétricos no cérebro.

O produto da Encora, semelhante a um relógio, atua nas mesmas regiões cerebrais por meio de vibrações mecânicas no pulso. “Estamos aplicando um estímulo mecânico, basicamente vibração, aos receptores de estiramento no pulso, que informam ao corpo sua posição no espaço”, explicou Carballo ao MIT News.

E ele continuou: “A estimulação faz com que os receptores se ativem e enviem um sinal padronizado aos nervos periféricos do pulso, que então transmitem o sinal para o sistema nervoso periférico e para o sistema nervoso central, para as mesmas regiões do cérebro visadas pela cirurgia”.

Em 2024, a Encora realizou um ensaio clínico randomizado com 47 pacientes com tremor essencial. No ano passado, a conduziu um ensaio com 59 participantes que utilizaram os dispositivos em casa.

Em ambos, segundo a empresa, mais de 70% dos pacientes apresentaram melhora significativa. Diante desses resultados, a agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA) aprovou em fevereiro deste ano a comercialização do dispositivo.

Agora, como destaca o MIT News, a Encora está focada em construir uma força de vendas nacional e em garantir a cobertura das seguradoras. No futuro, a companhia ainda espera ter um produto voltado para o Parkinson.

Mais Lidas

Publicação Original Epoca Negócios epocanegocios.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →