PT vê melhora em 'filme' de Lula na Quaest, mas segundo turno segue preocupando

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Fonte da notícia: Valor Valor

O Partido dos Trabalhadores (PT) e a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva viram uma melhora no "filme" das pesquisas Quaest, mas seguem preocupados com o segundo turno. O desempenho positivo já estava apontado pelos trackings internos no fim de semana, em meio ao debate sobre a Padroeira do Brasil e com o fim das apostas online. Leia mais: Na Quaest divulgada nesta segunda-feira (28), o presidente subiu dois pontos percentuais no primeiro turno, para 39%, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), um ponto, para 34%. O aumento é comemorado especialmente porque, além de qualquer ponto ser importante em uma eleição de margem tão apertada, há semanas estrategistas da campanha vêm se mostrando preocupados com um teto do petista. Com o acréscimo, a avaliação é de que há, sim, ainda margem para crescer e que o "filme" melhorou na última semana. Em Brasília, fala-se que pesquisas são retratos do momento e que é preciso analisar o conjunto --neste enquadramento, Lula tem voltado a se descolar minimamente. A tendência se repete no segundo turno, embora em uma situação muito mais apertada, petistas admitem. Lula, que em 13 de agosto tinha três pontos de diferença para Flávio (43% x 40%), chegou a ficar dois pontos atrás um mês depois (40% x 42%), em 13 de setembro e, agora, na mesma Quaest, retoma para o empate numérico (ambos com 42%). A preocupação segue, no entanto, porque a maioria dos outros adversários que pontuam atrás é de direita ou centro-direita, o que faz com que o cálculo na ponta do lápis favoreça Flávio em um primeiro momento. Ou seja, se a situação apertar, a avaliação da cúpula lulista é que grande parte desses eleitores vá "para o outro lado". Como boa notícia para petistas, a pesquisa e os trackings adiaram também o receio de uma possível vitória de Flávio no primeiro turno. Esta situação - que nunca chegou a ser retratada em dados, mas que se tornou um medo com a subida do bolsonarista em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF) - agora se mostra mínima. O debate, eles já calculam, deverá durar até o fim de outubro. Nossa Senhora Aparecida e fim das bets

A mudança de tendência nos trackings petistas já vem ocorrendo desde o meio da semana passada, quando os pools petistas indicavam estabilização dos dois, e uma melhora de Lula a partir do final de semana. À frente das avaliações, estão o debate em torno do projeto de lei (PL), arquivado, de tirar o título de Nossa Senhora Aparecida de Padroeira do Brasil e a medida provisória (MP) de fim das bets, assinada pelo presidente na sexta-feira (25). A pesquisa mostra que ele avançou entre católicos e evangélicos neste período. O debate sobre a padroeira tomou as redes sociais e movimentou católicos. Bispos da Igreja Católica já vinham fazendo pronunciamentos a favor de Lula, mesmo que de forma indireta, sob o que foi lido no PT como um receio de crescimento de certas alas das igrejas protestantes sob um governo Flávio. O caso foi usado por partidários do presidente, que divulgaram memes sobre o assunto, e respondido por bolsonaristas, que acursaram a campanha de "fake news". Até então, a estratégia é que Lula defenda o respeito e a liberdade religiosa, sem apontar dedos, mas garantindo que não deixará ocorrer mudanças sobre a padroeira. “Eu respeito a religião evangélica, eu quero que ele respeite a religião católica, a católica respeite ele, eu quero que respeite a religião de matriz africana”, disse ontem, em entrevista ao programa Canal Livre, da Band. O fim das bets também é visto como um fator positivo exatamente entre este público. A proposta, que já vinha sendo adiantada por Lula há um tempo, foi tida como uma última cartada do presidente antes do primeiro turno. Como o Valor mostrou, Lula tem abordado o tema pelo prisma da saúde pública e da econômica, falando sobre o adoecimento da população frente ao vício e o endividamento que as apostas trazem. Neste contexto, petistas dizem que setores ligados ao mercado financeiro, a influencers e ao futebo - três grupos que mais têm reclamado da proibição - já estavam distantes da campanha e não devem trazer impacto negativo, ao passo que grupos religiosos (de diferentes vertentes) e áreas como varejo apoiam a medida e devem trazer melhor resultado, como indicou a última pesquisa.

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