PT espera decisão de Tarcísio para anunciar nome que concorrerá ao governo de SP

 

Fonte:


O PT em São Paulo vive um compasso de espera pela decisão do governador Tarcísio de Freitas sobre 2026. A avaliação interna é de que a definição — seja pela disputa à reeleição ou pela entrada de vez na corrida presidencial — será determinante para o desenho da estratégia da esquerda no estado, considerado peça-chave para o projeto nacional do presidente Lula.

Apesar de ainda demonstrar resistência, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem mantido conversas cada vez mais frequentes com Lula sobre o cenário paulista. Haddad carrega um histórico recente de derrotas eleitorais: em 2016, ficou em segundo lugar na disputa pela Prefeitura de São Paulo, vencida por João Doria no primeiro turno; em 2018, perdeu a eleição presidencial no segundo turno para Jair Bolsonaro; e, em 2022, foi derrotado por Tarcísio na corrida ao governo paulista, também no segundo turno. Ainda assim, lideranças do PT afirmaram à CBN que há consenso interno em torno do nome.

“O nome dele é muito forte, não vejo divisão no partido. Ele continua resistindo, mas Lula tem conversado com o ministro. Então precisa esperar, mas fevereiro será um mês decisivo”, resumiu uma importante liderança petista no estado.

Entre auxiliares do Planalto, a leitura é mais direta. Um ministro próximo a Lula avalia que Simone Tebet seria “uma ótima escolha”, mas “talvez melhor para o Senado”. Para enfrentar Tarcísio em São Paulo, segundo essa avaliação, “a única possibilidade é o Haddad”. Mesmo assim, o nome de Tebet é ventilado dentro do partido como alternativa capaz de dialogar melhor com o eleitorado do interior e suavizar o antipetismo, além do fator simbólico de São Paulo nunca ter tido uma governadora mulher.

Nos bastidores do Palácio dos Bandeirantes, porém, a avaliação do entorno de Tarcísio é de que Tebet teria pouca capacidade de competir com o governador em uma disputa estadual. “Zero chance”, disse uma fonte do alto escalão paulista, ao avaliar que ela não conseguiria fazer frente ao capital político de Tarcísio. Dentro do PT, a leitura predominante é de que Tebet seria hoje mais competitiva para uma vaga ao Senado. Já Geraldo Alckmin segue como possibilidade remota, dependente de uma mudança profunda no cenário político.

O consenso entre petistas é que, caso Tarcísio deixe o governo para disputar o Planalto, o partido deve “escalar” Haddad para garantir um palanque competitivo em São Paulo. Tanto lideranças da esquerda quanto da direita avaliam que os primeiros movimentos mais claros devem surgir entre o fim de fevereiro e o início de março. O prazo final para a desincompatibilização de cargos, pelo calendário eleitoral, é abril, o que tende a acelerar as definições.