PSOL estuda reivindicar mandato de Benny Briolly após troca de partido; vereadora de Niterói também enfrenta pedido de cassação por faltas
Correntes do PSOL avaliam a possibilidade de reivindicar o mandato da vereadora Benny Briolly, que recentemente deixou a legenda para se filiar ao PT. O ambiente político, que já vinha tensionado, se agravou após a parlamentar publicar nas redes sociais uma foto ao lado dos deputados federais Guilherme Boulos e Erika Hilton, ambos do PSOL, cujos nomes chegaram a ser ventilados em articulações com o PT. Nos bastidores, o gesto foi interpretado por integrantes da sigla como uma provocação. Paralelamente, a vereadora encara outra frente de pressão, com um pedido que pode resultar na cassação de seu mandato por faltas ao longo de 2025.
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—Recebo com tranquilidade esse tipo de especulação, porque ela não corresponde à realidade do que está sendo dialogado. Todas as conversas necessárias já estão sendo feitas com responsabilidade e respeito à nossa trajetória. Já dialogamos com o partido, e esse tipo de hipótese não procede — afirmou Benny sobre sua relação com o PSOL.
Essa situação ganhou força na mesma semana em que a Justiça do Rio de Janeiro condenou o vereador Douglas Gomes (PL) a pagar R$ 30 mil por danos morais à parlamentar, ao reconhecer a ocorrência de transfobia e violência política de gênero. A decisão, do 2º Juizado Especial Cível de Niterói, aponta que as manifestações do vereador ultrapassaram os limites do debate político ao atingirem a dignidade e a identidade de gênero de Benny. Ainda cabe recurso.
De acordo com o processo, as ofensas ocorreram tanto em sessões plenárias quanto nas redes sociais do parlamentar, ampliando o alcance das declarações. Entre os episódios listados estão o uso reiterado do gênero masculino, a menção ao chamado “nome morto” e a utilização de expressões consideradas pejorativas. Na sentença, homologada em 17 de março, o Judiciário rejeitou o argumento de imunidade parlamentar, destacando que a conduta não se enquadra no exercício legítimo do mandato. O entendimento também reforça que a liberdade de expressão não pode ser utilizada para justificar discursos discriminatórios.
Apesar da vitória judicial, a vereadora enfrenta outras pressões no Legislativo. O vereador Alan Lyra protocolou, na semana passada, um memorando na Mesa Diretora solicitando providências em relação a faltas atribuídas à parlamentar. Segundo o documento, Benny teria se ausentado, sem justificativa, de ao menos 33 das 99 sessões ordinárias realizadas ao longo de 2025, o que corresponde a cerca de um terço do total.
Sobre o pedido de cassação por faltas, Benny afirmou que as ausências têm justificativa e classificou a movimentação como perseguição política.
— Todas as minhas ausências estão devidamente justificadas, seja por atestado médico ou por agendas oficiais representando a Câmara de Niterói, inclusive em articulações por emendas e ações para a cidade. Esse pedido de cassação é mais um capítulo de uma perseguição política da bancada do PL contra o meu mandato. Não é de hoje. Já tentaram me tirar da presidência da Comissão da Mulher, promovem ataques recorrentes e estiveram envolvidos, inclusive, na agressão que sofri após a aprovação da honraria à cantora Ludmilla — afirmou.
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