Prurigo Nodular: diagnóstico leva até cinco anos

 

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Uma jornada de anos, múltiplos diagnósticos equivocados e o sofrimento silencioso causado por uma coceira implacável. Esta é a realidade do Prurigo Nodular (PN), uma doença de pele crônica e inflamatória que, embora possa atingir adultos de todas as idades, é mais comum em mulheres e na faixa dos 50 aos 69 anos. Além disso, a doença afeta desproporcionalmente pessoas negras: estudos apontam que pacientes negros têm uma probabilidade 3,4 vezes maior de serem diagnosticados com a doença.

Agravando este cenário, a longa espera por um diagnóstico correto é um dos maiores desafios da doença. Um levantamento da Galderma, em parceria com a consultoria IQVIA, revelou que um paciente com Prurigo Nodular pode ficar quase cinco anos com o diagnóstico incorreto. O mesmo ocorre para o encaminhamento, no qual pacientes podem passar mais de dois anos sem serem encaminhados a um especialista.

Por que o diagnóstico é tão desafiador?

De acordo com a dermatologista Analia Viana (CRM-RJ 52906654/RQE 22779), membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o principal desafio no diagnóstico do Prurigo Nodular reside no fato de que seu sintoma primário — a coceira intensa — é comum a inúmeras outras condições dermatológicas e sistêmicas. O processo diagnóstico é, muitas vezes, de exclusão: os médicos precisam primeiro investigar e descartar outras doenças.

Embora sua causa exata não seja completamente compreendida, estudos sugerem que a condição é causada por um desequilíbrio entre o sistema nervoso e o sistema imunológico. Entre os principais fatores contribuintes estão: coceira e o ato de coçar persistentes, que levam à formação dos nódulos característicos; uma resposta imunológica hiperativa e sinais inflamatórios no corpo; condições de pele associadas, como dermatite atópica (eczema); e condições de saúde subjacentes, como diabetes e doenças hepáticas, que podem aumentar o risco de desenvolver a doença.

"O atraso no diagnóstico do Prurigo Nodular não é apenas uma questão de tempo, mas de qualidade de vida perdida. Enquanto o paciente é tratado para a condição errada, a doença progride. O ciclo de coceira e o ato de se coçar tornam-se tão intensos que causam lesões nodulares, dor crônica e cicatrizes. Estamos falando de um impacto físico, social e psicológico profundo que poderia ser mitigado com o reconhecimento precoce dos sinais", alerta a dermatologista.

Impacto na qualidade de vida

Essa complexa interação de fatores e a natureza dos sintomas resultam em um impacto que transcende a pele, afetando profundamente a saúde mental e o bem-estar dos pacientes. Quando a coceira é mais intensa à noite, por exemplo, o sono é prejudicado, o que afeta o bem-estar emocional e a produtividade no dia seguinte.

"Com a dor crônica, você tem uma sensação de dor monótona — uma espécie de dor 'nível 6 de 10' que não desaparece, mas você consegue dormir. Já a coceira crônica é diferente, porque ela não deixa você descansar. As pessoas afetadas ficam se coçando a noite toda", explica a Dra. Analia.

Além disso, a coceira persistente também pode provocar constrangimento, já que as lesões e o ato frequente de coçar chamam a atenção, levando algumas pessoas a evitarem interações sociais, o que, a longo prazo, pode contribuir para o isolamento e afetar a autoestima.

Como tratar a doença?

O tratamento para o Prurigo Nodular deve ser feito de acordo com a orientação do dermatologista e tem como objetivo controlar os sintomas, sendo normalmente indicada uma combinação de medicamentos para serem aplicados diretamente na pele ou serem usados na forma oral ou injetável. As opções, que devem ser prescritas por um médico, podem incluir cremes, fototerapia, medicamentos sistêmicos, imunossupressores e imunobiológicos.

"É crucial que a queixa de 'coceira' seja levada a sério, especialmente quando ela é crônica e não responde aos tratamentos convencionais. A conscientização é o primeiro passo para educar o público e a comunidade médica, visando um diagnóstico mais rápido e a implementação de um plano de cuidados que devolva a qualidade de vida aos pacientes", finaliza Dra. Analia.