Proximidade com Mario Frias, 'estreante' no cinema: quem é Karina Gama, alvo de operação da PF que mira filme de Bolsonaro

Proximidade com Mario Frias, 'estreante' no cinema: quem é Karina Gama, alvo de operação da PF que mira filme de Bolsonaro - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Moradora da Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, Karina Ferreira da Gama, de 47 anos, nunca havia produzido um filme antes de “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL). Ela é um dos alvos da operação da Polícia Federal, deflagrada nesta quinta-feira para investigar o financiamento da obra sobre o ex-presidente. A apuração mira o suposto desvio de emendas parlamentares para a produção. Galã de 'Malhação' e pouca experiência com cinema: quem é Mario Frias, alvo de operação por filme sobre Bolsonaro ‘Dark Horse’: Produtora de longa sobre Bolsonaro nunca fez nenhum filme Antes da "estreia" no ramo do cinema, a experiência principal de Karina era no terceiro setor, mas nos últimos anos ela passou a firmar contratos de cifras altas com a prefeitura de São Paulo, diversificou os negócios e abriu uma holding em Aracaju. Tudo isso coincide com uma aproximação com o deputado federal Mário Frias (PL-SP), outro alvo da operação da PF desta quinta. Foi Frias quem emplacou a Go Up Entertainment como a produtora do filme sobre o ex-presidente. Em 2022, Karina prestou serviços de assessoria de imprensa para a campanha do deputado, pelo valor de R$ 54 mil. Na diplomação do deputado, esteve ao seu lado e de sua família, e os dois chegaram a posar juntos para fotos. A parceria dos dois, que se conheceram em 2020, quando ele era secretário de Cultura de Bolsonaro, se refletiu também nas emendas do parlamentar, que enviou R$ 2 milhões para o Instituto Conhecer Brasil. Uma das emendas destinou-se à capacitação de adultos e adolescentes em "letramento digital" para o ensino digital a alunos de 4º e 5º anos de escolas públicas municipais, e a outra para implementação do projeto de artes marciais "Lutando pela Vida", em São Paulo. Em junho deste ano, o endereço residencial de Karina e a sede de sua ONG Instituto Conhecer Brasil e da produtora Go Up foram alvos de busca e apreensão no âmbito de uma operação deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo, que apura suspeitas de irregularidades na contratação da ONG pela gestão Ricardo Nunes (MDB). Frias reagiu à operação contra a aliada, disse que ela “não ficará sozinha” e disse que ela é “humilde, honesta e trabalhadora”. “Confiamos irrestritamente nela. Karina está sendo usada politicamente. Tudo será amplamente explicado”, disse à coluna Bela Megale.

Em fevereiro deste ano, Karina também abriu uma holding, a Gama Participações LTDA, em Aracaju (SE), com capital social de R$ 100 mil, que tem ela como única sócia. Ela também virou sócia da Upcon Serviços Especializados LTDA, uma construtora, que tem sede em Salvador (BA). Com a sua ONG Instituto Conhecer Brasil, ela conseguiu firmar um contrato de R$ 108 milhões com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT), em 2024, para instalar 5 mil pontos de Wi-Fi em vias públicas da cidade.

Não foi o único contrato público que ela angariou: a mesma entidade firmou um convênio de R$ 300 mil com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos para fazer projetos de ensino profissionalizante de maquiagem para mulheres de baixa renda da Zona Leste da capital, em 2024.

O GLOBO procurou Karina para comentar sobre a operação de junho e não recebeu resposta. A Prefeitura de São Paulo, por sua vez, negou irregularidades na contratação da ONG para implementação de pontos de Wi-Fi e disse que estava colaborando com as investigações.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site O Globo