Proteção contra golpes? Saiba por que estão envolvendo cartões em papel alumínio
A internet está repleta de vídeos e publicações que sugerem uma solução simples para evitar fraudes: embrulhar cartões de crédito e débito em papel alumínio. A prática ganhou popularidade principalmente nas redes sociais, mas levanta dúvidas sobre sua real eficácia na proteção de dados.
O hábito se espalhou como uma alternativa caseira diante do avanço dos pagamentos por aproximação (contactless), tecnologia cada vez mais presente no dia a dia dos consumidores. A proposta seria bloquear sinais de radiofrequência usados nas transações, reduzindo o risco de golpes eletrônicos.
Por que enrolar no papel alumínio?
A justificativa por trás da técnica é que o alumínio funciona como um material condutor, capaz de interferir na propagação de ondas de rádio. Na prática, isso remete ao conceito da chamada “gaiola de Faraday”, estrutura que bloqueia campos eletromagnéticos e pode isolar dispositivos de sinais externos.
Por esse motivo, em alguns cenários, o papel alumínio pode até dificultar ou impedir a leitura de cartões por aproximação, especialmente em pagamentos por tecnologia contactless. No entanto, a eficiência depende de variáveis como a forma de embrulho, a espessura do material e a potência do leitor utilizado.
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Apesar disso, especialistas apontam que o método não é uma solução definitiva e pode trazer inconvenientes, como o desgaste do cartão e a necessidade constante de retirá-lo da proteção para uso.
Papel alumínio realmente evita fraudes?
Testes práticos indicam que cartões completamente envolvidos em papel alumínio podem, de fato, não ser reconhecidos por terminais de pagamento. Isso demonstra que há uma barreira parcial ao sinal de radiofrequência utilizado nas transações por aproximação.
Ainda assim, a maior parte das fraudes financeiras registradas hoje não ocorre por esse tipo de leitura indevida. Golpes envolvendo clonagem de cartões, dispositivos adulterados, phishing, vazamento de dados e engenharia social continuam sendo as principais ameaças.
Prática não "blinda" de fraudes
Apesar da ampla divulgação, especialistas alertam que a medida pode gerar apenas uma falsa sensação de segurança. Isso porque, embora o papel alumínio possa dificultar a leitura por aproximação em algumas situações, ele não substitui mecanismos oficiais de proteção adotados por instituições financeiras, nem impede outros tipos de fraude mais comuns, como vazamento de dados ou golpes virtuais.
(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo sob supervisão de Vanessa Pinheiro, editora web de OLiberal.com)
