Protagonistas do 2º turno devem ter mais espaço

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Fonte da notícia: Valor Valor

Protagonistas da campanha vitoriosa de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), o senador Camilo Santana (PT-CE) e o deputado federal André Janones (Rede-MG) são cotados para ministérios no próximo mandato do presidente. O trio deve ser escalado para melhorar a comunicação, a articulação política e a avaliação do governo, além de aproximar Lula da militância nas ruas e nas redes.

Fonteles e Santana entraram na linha sucessória do presidente para 2030 e são avaliados como possíveis nomes para a Presidência. Lula reconheceu o “papel exponencial” de Janones na campanha e disse que em seu próximo mandato fará uma “comunicação digital muito forte”.

Como exemplo do que pretende usar para falar diretamente com seus apoiadores, o petista citou o canal “Exército do Lula”. O deputado disse, durante um breve discurso na avenida Paulista, que trabalhará para divulgar ações do presidente e melhorar a avaliação do governo.

Fonteles e Santana foram apresentados à militância por Lula logo após a vitória, também na avenida Paulista. Sobre o governador do Piauí, o presidente destacou a atuação política e disse que Fonteles “enterrou a carreira política” do senador e presidente do PP, Ciro Nogueira, no Estado, derrotado nas urnas.

Em relação a Santana, lembrou que o petista foi ministro da Educação, governador do Ceará e ressaltou sua mobilização para ampliar os votos no Nordeste no segundo turno, onde teve cerca de 70% dos votos. O governador do Piauí tem sido cotado para assumir um ministério já no início do novo mandato, como o da Fazenda, mas diz publicamente não querer deixar o Estado, onde acabou de ser reeleito.

Aliados do presidente, no entanto, afirmam que o vice Washington Bandeira (PT), está muito alinhado com o governador e poderia assumir a gestão estadual. Uma das possibilidades é Fonteles assumir um ministério dentro de um ou dois anos, ao longo do mandato.

Já Santana deve retornar ao primeiro escalão. O petista deixou o Ministério da Educação no início do ano, para ficar como “plano B” na disputa pelo governo do Ceará caso o governador Elmano de Freitas (PT) não conseguisse viabilizar sua candidatura.

Elmano foi reeleito com apoio do senador. Fonteles e Santana devem ajudar também a ampliar a participação de lideranças políticas do Nordeste no governo e no PT, e atuar na renovação do partido.

O atual presidente do PT, Edinho Silva, comandou a campanha de Lula no primeiro turno, mas foi escanteado depois de críticas sobre desorganização no primeiro turno, abrindo espaço para Fonteles, Santana e o senador eleito Rui Costa (PT-BA). No comando do PT, Edinho foi eleito para um mandato partidário até 2029, mas dirigentes petistas avaliam antecipar a eleição interna do partido e trocar a presidência da legenda.

O governador do Piauí e o senador do Ceará são vistos dentro do PT como possíveis sucessores de Lula em 2030 e devem começar, desde já a tratar do futuro do partido sem o presidente no comando do país. A estratégia de Lula, segundo aliados, é aumentar o conhecimento nacional dos dois - em especial de Fonteles, mais conhecido no Nordeste.

O PT ainda não tem um nome natural para a sucessão do presidente e deve enfrentar a pressão de partidos de esquerda para abrir mão de lançar um candidato na próxima disputa presidencial. Lula e dirigentes petistas, no entanto, resistem a essa ideia.

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), no entanto, acredita que ainda é cedo para cravar os dois como sucessores de Lula e outros nomes ainda podem despontar como favoritos nos próximos anos. “Acho muito cedo para falar de sucessão.

Todo mundo vai achar que tem condições [de ser o sucessor], né? Então, quanto menos a gente cuidar disso agora, melhor. Esse momento agora é o momento de organizar o movimento, tocar o barco e, no processo, a gente vê”, afirmou a senadora.

Para Teresa, o presidente da República ainda pode surpreender nesse processo de escolha de sucessores. “Lula é muito fechado e tem uma estratégia muito analítica em relação a escolher os sucessores.

Lembra de Dilma? Ninguém diria pela Dilma. Acho que é o tempo que vai dizer as posições, a conjuntura.

Agora, acho, sim, que eles cumpriram um papel importante na campanha”, avaliou. Petistas reforçam a ideia de que outros nomes para a sucessão de Lula ainda tentarão se viabilizar.

Citam ainda que na convenção nacional do PT, em agosto, que confirmou a candidatura à reeleição do presidente, Lula lançou o ex-ministro Fernando Haddad (PT) como seu possível sucessor. Haddad, no entanto, desgastou-se politicamente ao perder sua quarta eleição consecutiva neste ano, quando concorreu ao governo de São Paulo contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito no primeiro turno.

O ministro não foi citado por Lula em seus discursos após a vitória. Outro nome que ganhou ainda mais a confiança de Lula nesta eleição, nos dois turnos, foi Geraldo Alckmin.

Nos dois discursos feitos à militância no domingo, o presidente elogiou e agradeceu Alckmin, e afirmou que é o melhor vice que alguém pode ter. Além de mostrar sua fidelidade a Lula durante o governo, Alckmin teve uma forte atuação no segundo turno, ao fazer encontros com empresários, prefeitos e atos de campanha sem o presidente para ampliar os atos pró-Lula.

O vice, que foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, deve assumir um novo ministério, e atuará também para construir um candidato para suceder Lula. Na avaliação de Teresa, Alckmin tem um papel complementar ao do presidente.

“Ele é bem diferente de Lula, mas eles não são divergentes, eles se complementam. Ele cumpre o papel de um vice sereno, um vice que tem conteúdo, um vice que está pronto pra qualquer motivação, mas ele não avança no espaço do presidente”, disse.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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