'Proprietário' de cachorro achado morto em Itajaí (SC) está entre adolescentes apreendidos, diz PM
A Polícia Militar de Santa Catarina confirmou, nesta sexta-feira, que um dos dois adolescentes apreendidos sob suspeita de matar um cachorro em Itajaí, na véspera, era o próprio "proprietário" do animal. Um adulto de 19 também foi preso no caso. A corporação foi acionada por testemunhas, que relataram uma sequência de maus-tratos contra dois cães e apontaram a localização dos suspeitos.
Testemunhas afirmaram às autoridades que os jovens teriam arremessado o animal em um rio e, na sequência, o teriam levado para um prédio abandonado próximo. O cão teria sido lançado do alto da edificação. Ele foi encontrado já sem vida pelas equipes municipais.
De acordo com o 1º Batalhão de Polícia Militar, da cidade de Itajaí, um dos adolescentes, de 15 anos, é natural de Itajaí, enquanto o outro, apontado como "proprietário" do cão morto, é pernambucano de Olinda. Já o adulto é gaúcho de Rio Grande. Ainda segundo a PM, todos foram apontados como envolvidos no crime pelas testemunhas, que ainda apontaram a localização dos suspeitos, "que moram perto do local do crime". Um quarto suspeito não foi encontrado.
Equipes da PM foram acionadas para verificar uma ocorrência de maus-tratos na rua Theodoro Lino Regis, na esquina com a rua Domingos Braz Sedrez, onde fica um prédio amarelo de esquina, em estado de abandono. Ao chegarem ao local, os agentes já se depararam com um cachorro de porte médio, sem raça definida e de cor preta, caído na calçada em frente ao edifício e cercado por pessoas. Os policiais chamaram a Guarda Municipal Ambiental, cujos servidores foram ao local acompanhados de uma veterinária.
Em avaliação física e preliminar, a profissional constatou que o animal estava morto, com uma escoriação na região do queixo, sangramento interno na boca — "decorrente, provavelmente, de uma hemorragia interna", diz a nota. Segundo a PM, no local, "várias testemunhas" então apontaram a localização dos suspeitos.
Segundo cão estava amarrado em prédio, diz testemunha
Os agentes apuraram que os quatro envolvidos estavam, momentos antes, na beira do rio Itajaí Açu, onde já teriam realizado maus-tratos contra dois cães. Segundo o relato das testemunhas colhido pela PM, o grupo tentou afogar os animais e desferiu chutes contra eles. Depois, levaram ambos os cães para o prédio abandonado.
Testemunhas disseram ter ouvido o barulho do cão caindo do prédio e decidido, então, ir até o local. Lá, contaram ter se deparado com os suspeitos saindo do edifício "descontraídos e rindo". Uma pessoa disse que chamaria a polícia, e os quatro "fugiram". Ainda segundo a PM, uma testemunha entrou no prédio e verificou que lá dentro havia outro cão, de cor branca, amarrado.
Os suspeitos negaram à PM que tenham cometido maus-tratos, mas confirmaram a presença na beira do rio e a ida posterior ao prédio. Segundo eles, o objetivo era "tirar uma foto" no edifício. Foram apreendidos os celulares de um dos envolvidos e da mãe de um deles. Segundo a corporação, uma possível imagem dos envolvidos momentos antes do crime foi anexada ao boletim de ocorrência.
"Durante a ação da Policia Militar não houve testemunhas que presenciaram o momento em que o cão teria sido arremessado do prédio. Contudo, com base nos relatos de maus tratos realizados previamente pelos envolvidos na beira do rio, confirmação dos envolvidos que estavam no prédio e relato de testemunhas que ouviram o barulho do cão caindo, os policiais militares concluíram que houve o crime de maus tratos e a necessidade de encaminhamento dos três envolvidos à Central de Polícia", destaca a nota do Batalhão.
Vice-prefeito de Itajaí, Rubens Angioletti disse que a Guarda Municipal, por meio da Guarda Ambiental, e a Polícia Militar foram acionadas para uma ocorrência no bairro da Murta. O político disse que os jovens "não conseguiram" jogar o animal no rio e seguiram com ele para o prédio abandonado.
— Um serzinho amoroso, como é um cachorro, um serzinho inocente, vem para você fazer carinho, e os caras fazem uma coisa dessa. São menores de idade. Se bobear, vão sair da delegacia primeiro que o tutor do animal — disse o vice-prefeito, que defendeu a diminuição da maioridade penal.
A postagem de Angioletti mostra imagens do corpo do cão no momento em que era recolhido por guardas (atenção: imagens fortes).
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A Guarda Municipal removeu e levou o corpo do cachorro à delegacia.
O caso ocorre semanas depois da morte do cão Orelha, em Florianópolis, também em Santa Catarina. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pediu a exumação do corpo do cachorro para perícia e também cobrou novos depoimentos para esclarecer o caso. Em nota, o órgão apontou a “necessidade de complementação das investigações” e fixou prazo de 20 dias para o cumprimento das diligências.
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A Polícia Civil do estado aponta um adolescente como agressor de Orelha e pede a internação do jovem — o que é equivalente a uma prisão de adulto. Os advogados dele negam as acusações. Além disso, foram indiciados três maiores por coação a testemunha neste caso.
Duas repartições diferentes do MP analisam o caso:
A 10ª Promotoria de Justiça, da área da Infância e Juventude, trata de quatro boletins de ocorrência circunstanciados contra adolescentes. Os responsáveis dessa área pediram que a polícia inclua no processo vídeos relacionados a atos infracionais dos suspeitos e registros envolvendo os cães da região. Além disso, requeriu a exumação do corpo de Orelha "se viável" para a "realização de perícia direta, medida que pode esclarecer a dinâmica das agressões".
Já a 2ª Promotoria de Justiça da Capital, na área criminal, pediu “esclarecimentos específicos” para verificar se houve coação no curso do processo, e requisitou oitiva de novas testemunhas. O órgão também ressaltou que o inquérito está em fase de investigação.
Em nota, a Polícia Civil de Santa Catarina informa que recebeu os pedidos de diligências por parte do MPSC e irá cumprir todos com celeridade para que a denúncia dos envolvidos possa prosseguir para a Justiça junto com a demais provas já obtidas nas investigações da morte do Cão Orelha.
O caso Orelha
De acordo com os laudos da Polícia Científica, Orelha sofreu uma pancada contundente na cabeça, "que pode ter sido por um chute ou algum objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa". Segundo a apuração da Polícia Civil, ele foi atacado na madrugada do dia 4 de janeiro, por volta das 5h30 da manhã. No dia seguinte, foi levado por moradores ao veterinário e morreu. Ele era um cão comunitário que recebia cuidados de vários moradores na Praia Brava, bairro turístico de Florianópolis.
Também foi identificada como prova a roupa utilizada pelo autor do crime, que foi registrada em filmagens. Além disso, um software francês obtido pela corporação analisou a localização do responsável durante o ataque fatal ao cachorro.
Com a conclusão das investigações, o inquérito foi encaminhado ao MP do estado, que argumentou ter identificado inconsistências e lacunas nos relatórios encaminhados, consideradas insuficientes para a completa reconstrução dos acontecimentos.
