Propostas de tarifas dos EUA contra Brasil se acumulam? Entenda possíveis novas taxas
Um dia após o anúncio que o escritório da representação comercial dos Estados Unidos propôs uma taxa de 25% contra o Brasil, uma nova tarifa apresentada pelos EUA apareceu no horizonte. O mesmo escritório adicionou o país em uma taxa de 12,5% por falta de combate ao trabalho forçado.
As duas retaliações econômicas de Washington tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio, que estipula uma investigação econômica contra países que estariam realizando práticas para dificultar o comércio americano.
O Brasil foi incluído na faixa de maior tributação ao lado de parceiros comerciais como a China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido.
Segundo a agência americana de comércio, essas economias não apresentam regimes eficazes de controle do trabalho forçado.
O embaixador norte-americano Jamieson Greer declarou que a circulação global de mercadorias produzidas a custos artificialmente baixos gera concorrência desleal com as empresas locais.
Em relação ao Brasil, a investigação concluiu que o país falhou em impor e fiscalizar uma proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado.
O relatório concluiu que o Brasil carece de mecanismos legais e efetivos para impedir o trânsito dessas mercadorias no mercado interno.
As restrições alfandegárias norte-americanas passarão por uma etapa de consulta pública antes da aplicação definitiva sobre os países afetados.
O Escritório Comercial dos Estados Unidos receberá posicionamentos por escrito de representantes do setor privado até o dia seis de julho.
O cronograma oficial divulgado pelo governo americano prevê a realização de audiências públicas em 7 de julho para debater as objeções tarifárias apresentadas pelas empresas.
O governo americano aponta que a medida visa a enfraquecer o financiamento global do trabalho escravo moderno.
No documento enviado contra a abertura do processo, o governo brasileiro afirmou que eventuais sanções unilaterais seriam desproporcionais e injustas contra um país que considera referência global no combate ao trabalho escravo.
Tarifas se acumulam?
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante fala com a imprensa.
Kent NISHIMURA / AFP
É importante deixar claro que as tarifas ainda não são uma certeza. Elas foram propostas por um órgão do governo dos Estados Unidos, porém ainda passarão por audiência e possuem a chance de resposta do governo brasileiro.
Além disso, novas negociações podem ocorrer durante esse tempo para diminuir o valor.
No entanto, caso ambas avancem, elas se acumulariam. O Brasil, então, passaria a ter taxas de 37,5% nos produtos importados, tirando aqueles listados pelos EUA como não tributáveis.
Ficam isentos do imposto de importação produtos agropecuários como carne bovina, café, frutas tropicais, além de petróleo, minérios, terras raras, aviões, fertilizantes e produtos farmacêuticos.
A taxa conjunta se aproxima dos 40% adicionais anunciados pelo governo Trump em 2025, junto ao tarifaço que estipulou 10% mínimo contra todos os países do mundo. Dessa forma, o Brasil chegou a ficar com tarifas de 50%.
Donald Trump anuncia 'tarifaço'
Brendan SMIALOWSKI / AFP
