Proposta iraniana para acordo com EUA é dividida em três fases, sendo fim da guerra a primeira, diz jornal

 

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O jornal libanês Al-Mayadeen, próximo ao Irã e ao Hezbollah, trouxe detalhes da proposta iraniana aos Estados para o fim do conflito no Oriente Médio. Segundo o veículo, a ideia é dividir o acordo em três fases.

Na primeira delas, o fim da guerra precisa ser estabelecido. Na segunda, a gestão do Estreito de Ormuz estará em debate. Por fim, as negociações nucleares seriam tema principal.

O Irã quer que os Estados Unidos e Israel encerrem a guerra no Irã e no Líbano e garantam que não haverá mais ataques contra esses dois países.

Após a primeira fase, começarão as conversas sobre a gestão do Estreito de Ormuz, em coordenação com Omã, com o objetivo de desenvolver um arcabouço legal para a governança e o tráfego nessa hidrovia.

Uma vez concluídas as duas primeiras fases, o Irã e os Estados Unidos poderão iniciar as negociações nucleares. De acordo com o Al-Mayadeen, o Irã não se envolverá na questão nuclear até que as duas primeiras fases sejam concluídas.

Após as notícias da imprensa americana, especialmente da agência de notícias Reuters, de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump estava insatisfeito com a mais recente proposta para acabar a guerra feito pelo regime iraniano, o país respondeu.

Segundo declarações do porta-voz do Ministério da Defesa iraniano, Reza Talaei-Nik, os EUA não tem mais direito de 'ditar suas políticas' contra outros países.

'Os Estados Unidos não estão mais em posição de ditar suas políticas a nações independentes', comentou ele, citado pela televisão estatal do país.

Ainda completou que Washington deve abandonar suas 'exigências ilegais e irracionais'.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está 'frustrado, mas realista' em relação ao Irã, já que as negociações permanecem paralisadas, informou o site de notícias Axios nesta terça-feira (28).

Um assessor próximo ao presidente comentou que Trump não quer usar a força, mas não está recuando em suas exigência.

O relatório citou vários funcionários americanos que disseram estar preocupados com a possibilidade de Washington ser arrastado para um conflito congelado com o Irã, sem guerra nem acordo, lembrando a Guerra Fria.

Nesse cenário, as forças americanas permaneceriam posicionadas na região por meses, com o Estreito de Ormuz fechado, enquanto os dois lados continuariam aguardando uma ação do adversário.

Trump oscila entre a possibilidade de novos ataques militares contra o Irã e a expectativa de que a estratégia econômica de 'pressão máxima' leve Teerã a negociar seu programa nuclear.

Guerra no Irã completa dois meses sem perspectiva de trégua permanente

Fumaça após ataque contra o Irã na guerra do Oriente Médio.

AFP

A guerra no Irã completa dois meses nesta terça-feira (28), sem nenhuma perspectiva de trégua permanente.

Os números da tragédia humana são incertos, mas segundo a ONG Human Rights Activists, sediada nos Estados Unidos, já são mais de três mil e seiscentos mortos. O Ministério da Saúde iraniano também registra mais de 30 mil feridos.

No tabuleiro estratégico, o fechamento do Estreito de Ormuz elevou o preço do petróleo em quase 50% nesse período.

A queda de braço entre os Estados Unidos e o regime mantém o barril acima dos 100 dólares, o que pressiona a inflação no mundo todo, inclusive no Brasil.

O governo americano pode dar hoje uma resposta a mais uma proposta do regime iraniano para o fim da guerra.

O plano condiciona a abertura do Estreito de Ormuz ao encerramento das hostilidades e ao adiamento da discussão sobre o programa nuclear.

O presidente Donald Trump se reuniu com a equipe de segurança nacional para avaliar o texto, mas exige que o tema nuclear seja tratado agora, e não depois.

Segundo a agência Reuters, o republicano ficou insatisfeito com a proposta por não abordar o programa nuclear do Irã.

A porta-voz da Casa Branca também adiantou que as exigências fundamentais, de que o Irã jamais poderá ter armas nucleares, permanecem.

Enquanto isso, aumenta a pressão dos aliados europeus, como França e Alemanha, por um cessar-fogo duradouro.

Nessa segunda (27), o chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que os Estados Unidos estão sendo “humilhados” pelo Irã e criticou a condução americana da guerra.

Berlim integra uma coalizão liderada por Reino Unido e França para garantir a segurança da navegação na via marítima estratégica após a tentativa de estabelecimento de um cessar-fogo permanente.

Na Rússia, ao receber a visita do ministro de Relações Exteriores do Irã, o presidente Vladimir Putin prometeu apoio total ao regime de Teerã.