Proposta de delação premiada de "Beto Louco" prevê ressarcimento de até R$ 1 bilhão em impostos sonegados ao Estado

 

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A proposta de delação premiada do empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco", um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, sob suspeita de comandar um esquema de lavagem de dinheiro, sonegação e adulteração de combustível, prevê que ele devolva até R$ 1 bilhão em tributos sonegados do Estado.

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Os documentos da delação já foram entregues ao Ministério Público de São Paulo (MP/SP) e agora depende do procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, decidir se a proposta de delação de Beto Louco será aceita ou recusada.

Um dos pontos que está sendo questionado pelo MP na delação é que ela, segundo um fonte, não traz detalhes de envolvimentos de membros do PCC no esquema de sonegação fiscal dos combustíveis. Promotores querem que a defesa do empresário entregue mais provas sobre esse envolvimento.

No início das discussões sobre a delação, o valor inicial da devolução de impostos que o empresário pagaria era de algo como R$ 400 milhões. A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) estima que a sonegação fiscal de ICMS tenha chegado R$ 1,38 bilhão. Nas discussões para o acordo, o valor acabou sendo elevado para cerca de R$ 1 bilhão.

O MP também está discutindo o valor da multa total que o empresário teria que pagar. A Sefaz já tinha aplicado multas às empresas de Beto Louco, que somam cerca de R$ 300 milhões.

De acordo com fontes a par do acordo de delação, Beto Louco forneceu documentos preliminares do que as autoridades podem conseguir com o acordo. Segundo uma fonte, ele forneceu nomes de magistrados e de servidores responsáveis por fiscalizações no setor de combustíveis, além de números de telefone, em que podem ser obtidas informações importantes sobre o esquema.

O mais importante, diz a fonte, é que Beto louco se comprometeu a ressarcir os cofres públicos das fraudes fiscais praticadas pelo grupo, ponto considerado mais delicado num acordo de delação, já que geralmente os acusados não têm disposição de fazer esse tipo de ressarcimento. A informação do valor foi publicada pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmada pelo GLOBO.

A PF apura a relação entre esse esquema e postos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Cerca de mil postos vinculados à facção movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Segundo as investigações da Carbono Oculto, Beto Louco ficava responsável por gerir as empresas Copape e Aster, pelas quais o grupo cometia as fraudes fiscais e viabilizava a lavagem de dinheiro.

O grupo formado por Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad, o "primo", apontado como o principal nome da organização, expandiu suas atividades e passou a atuar em toda a cadeia produtiva desse setor, inclusive na compra de usinas de etanol, com intimidação de fazendeiros para venderem suas propriedades. Primo é dono da distribuidora de combustíveis Aster. Mourad também tinha uma rede de postos de combustíveis que estariam em nome de laranjas. Ele seria ligado ainda à Copape, uma formuladora de combustíveis.

“Beto Louco” e Mohamad Mourad foram localizados por autoridades brasileiras na Líbia. A fuga de mais de 9 mil quilômetros até o país do norte da África e ocorreu, segundo investigadores que acompanham o caso, após a dupla entrar na mira da Polícia Federal e do Ministério Público.

É de lá que os dois, atualmente na lista de foragidos da Interpol, negociam a delação premiada com o Ministério Público de São Paulo através de seus advogados. No ano passado, porém, uma tentativa de acordo em qual os empresários citavam políticos foi rejeitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).