'Prometo que é a última entrega', disse vizinho de Alana meses antes de invadir casa e tentar matar jovem

 

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Uma jovem de 20 anos foi internada em coma induzido no CTI do Hospital de Clínicas de São Gonçalo, na Região Metropoliatana do Rio, após ter sido brutalmente atacada dentro da própria casa, no bairro Galo Branco. O agressor é um vizinho da família, que acabou preso em flagrante. Luiz Felipe Sampaio, de 22 anos, teria atacado Alana Anisio Rosa por ela ter recusado iniciar um relacionamento com ele. A delegacia de Neves investiga o caso, que aconteceu na última sexta-feira (06).

Os ferimentos ficaram concentrados na cabeça, no rosto e no pescoço. A jovem passou por uma cirurgia de cerca de cinco horas para a reconstrução de uma veia importante do pescoço. Ela chegou a ser extubada, mas precisou ser entubada novamente após apresentar agitação. O estado de saúde é considerado muito delicado.

Segundo familiares, Alana conhecia Luiz Felipe apenas de vista, da academia. A mãe da Alana disse que eles tiveram apenas uma única conversa, pelo Instagram. A família afirma que, durante cerca de quatro meses, Luiz Felipe enviou buquês de rosas e chocolates de forma anônima. Em dezembro, decidiu se identificar.

Em resposta por mensagem, Alana agradeceu o presente, mas deixou claro que não tinha interesse em se relacionar, explicando que estava focada nos estudos.

“Oi, Felipe! Recebi o seu presente. Agradeço o carinho e a gentileza. Você é um querido, uma boa pessoa de coração, mas estou muito concentrada nos meus objetivos, sem tempo para outras coisas. Um feliz Natal para você.”

O criminoso respondei escrevendo que queria apenas que ela soubesse que era ele quem enviava os presentes, desejou um feliz Natal e disse esperar que a jovem realizasse seus sonhos.

"Oi, Alana, boa noite! Que bom que você gostou. Achei que era justo você saber que era eu quem mandava as flores. Você também parece ser uma garota muito legal. Podemos ser amigos, se você quiser. Que você consiga realizar todos os seus sonhos. Feliz Natal para você e toda a sua família! Essa foi a última entrega, prometo. Só achei justo você saber que fui eu. Manda um abraço para sua mãe."

Conversa entre Alana e Luiz Felipe.

Reprodução

No dia do ataque, segundo a polícia, Luiz Felipe ficou esperando Alana no pátio de uma igreja em frente à casa da família. Quando a jovem entrou na residência, ele pulou o muro e passou a esfaqueá-la. A mãe chegou ao local e encontrou o agressor sobre a filha, desferindo golpes. Jaderluci Anisio conseguiu intervir, fazendo com que ele parasse e fugisse.

"Eu fui para casa mais cedo, essa foi a grande sorte de tudo, quando eu coloquei meu carro na garagem, eu escutei muitos gritos, na hora pensei que era na casa do vizinho, mas infelizmente era na minha casa, quando eu desci do carro, eu escutei os gritos mais altos ainda, aí eu corri e ele estava lá em cima da minha filha, esfaqueando a minha filha, na sala da minha casa, eu tirei ele de cima dela, saí jogando ele para fora de casa e gritando pelos vizinhos, gritando socorro, socorro, socorro, ele pulou o muro de volta, por onde ele havia pulado para entrar".

Minutos depois, o pai de Alana chegou e levou a filha para o hospital. Luiz Felipe foi localizado e preso em casa pouco tempo depois. A mãe da jovem pediu justiça.

"E a única coisa que eu quero pedir como mãe é justiça, justiça pela minha filha, para que esse monstro não saia da cadeia, para que ele não cumpra só uma pena de 5 anos e saia com bom comportamento, a gente nunca imagina o que vai acontecer na nossa casa com a nossa família e de repente você se depara com uma pessoa e invade a sua casa para matar a sua filha, uma menina que nunca namorou, a minha filha é totalmente focada nos estudos, o sonho dela é ser médica, então é uma menina cheia de sonhos, uma menina que gosta de ler, que gosta de viver assim da maneira dela, mais tranquila, que as leis mudem, que as autoridades tomem providência desses feminicídios, desses assédios".

Parentes da Alana afirmam ainda que, no dia anterior ao crime, Luiz Felipe tentou invadir a casa onde moram, mas foi impedido pelo cachorro. Segundo o Ministério Público do Rio, o agressor vinha insistindo em manter um relacionamento com a vítima desde dezembro de 2025, apesar do desinteresse demonstrado por Alana.

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Ao prestar depoimento à polícia, Luiz Felipe Sampaio permaneceu em silêncio durante o interrogatório, falando apenas que não sofreu agressões por parte dos policiais. Antes de ser levado à delegacia, ele precisou de atendimento em um hospital, com machucado no dedo do pé. Segundo o MP, Luiz Felipe teve a prisão preventiva decretada após audiência de custódia.