Programa de Inovação da Andrade Gutierrez
Divulgação/Andrade Gutierrez
Gestão digital das obras, drones, robôs nos elevadores, inteligência artificial: o setor de Construção e Engenharia tem diversificado as armas para mitigar riscos e acidentes em uma área onde a segurança das pessoas e dos equipamentos é especialmente sensível.
As ferramentas tecnológicas também têm garantido maior produtividade em um momento em que os recursos são escassos e os prazos para entrega dos projetos, cada vez mais apertados.
Na Andrade Gutierrez, líder da categoria Construção e Engenharia, foi instituído o Prêmio Soberano, uma iniciativa de inovação aberta a funcionários de qualquer nível hierárquico.
Já em sua terceira edição, o prêmio destaca projetos que comprovem ganhos de segurança e produtividade e que possam ser replicados em outras obras da companhia.
No último ano, o uso de uma ferramenta que envolve óculos digitais acoplados ao capacete garantiu uma redução de mais de 40% no tempo de inspeção da obra de retomada de uma refinaria.
O projeto foi um dos vencedores do Prêmio Soberano da companhia, segundo João Martins, CEO da Consag, empresa de construção e engenharia da Andrade Gutierrez no mercado privado.
“A opção por inovação na nossa empresa está enraizada em uma questão de ganho de produtividade, competitividade e excelência operacional”, diz Martins.
João Martins, CEO da Consag
Luiz Fernando Mendes/Divulgação
No caso da MPD, que ficou em segundo lugar, o programa Embaixadores da Inovação foi criado para multiplicar internamente as iniciativas criativas.
Segundo Caroline Machado de Abreu, gerente de tecnologia e inovação da empresa, o potencial de economia mapeado pelo Prêmio de Inovação saltou de R$ 4,5 milhões em 2024 para R$ 8,8 milhões em 2025.
“A inovação nasce da combinação entre a necessidade de eficiência operacional e a busca por diferenciação em um setor que ainda tem baixa maturidade digital”, diz Caroline.
Ela cita uma pesquisa do BIM Fórum Brasil (2025) mostrando que 70% das construtoras brasileiras seguem em estágio inicial no uso de tecnologia.
“Para a MPD, inovar significa reduzir retrabalho, acelerar decisões, aumentar a rentabilidade dos projetos e entregar mais valor ao cliente final.”
Há ainda um motivador estrutural do setor: a escassez de mão de obra qualificada em um segmento em que a população mais jovem não se sente atraída para trabalhar.
Por isso, parte da estratégia de inovação da MPD está voltada a destravar produtividade e a qualificar pessoas.
“Estamos trabalhando para tornar o canteiro de obras mais digital e mais atraente para as novas gerações”, diz a executiva.
Abreu, da MPD: “Estamos trabalhando para tornar o canteiro de obras mais digital”
Divulgação
O grupo Patrimar também busca engajar o capital humano com programas internos de inovação e empreendedorismo, como o Semeando Ideias, que premia colaboradores cujas propostas geram impacto concreto para o negócio.
“A empresa estabelece metas e indicadores específicos, monitora os resultados das iniciativas e incentiva uma cultura baseada em experimentação e no uso de dados para identificar oportunidades de melhoria”, diz Patrícia Veiga, diretora executiva de Inovação e ESG da Patrimar.
O argumento mais forte para justificar o investimento em inovação é o resultado palpável.
Na Patrimar, a implementação da modularização de paredes reduziu o tempo de execução de um pavimento de aproximadamente 20 para 10 dias úteis, enquanto a equipe necessária encolheu de 12 a 14 para cerca de oito profissionais.
As necessidades específicas dos clientes também são um forte estímulo à inovação.
Foi para atender à demanda de uma grande mineradora brasileira que a Construtora Barbosa Mello (CBM) desenvolveu o britador de compactos que é considerado o maior da América Latina, com 55 metros de altura, destinado a processamento de minérios de alta dureza.
Entregue em fevereiro à mineradora, que não pode ter seu nome revelado por acordo de confidencialidade, o britador usa topografia digital, drones e gestão 360º para acompanhar o fluxo de valores e resultados.
Para o cliente, ter essa demanda atendida significou aumentar a produção em uma mina já em operação, segundo Alícia Figueiró, vice-presidente corporativa da CBM — companhia que figura desde 2020 entre as cinco vencedoras do Anuário Valor de Inovação.
Os clientes desse segmento demandam sistemas que garantam produtividade e questões de segurança para mitigar riscos, segundo a executiva.
Para aliar modernidade à segurança e gestão de tráfego de pessoas, a Atlas Schindler tem investido em inovações na linha de elevadores.
Um deles, o Schindler Ahead, conecta os elevadores à internet por meio de IoT (internet das coisas).
Os equipamentos são monitorados continuamente na nuvem, o que permite reduzir as interrupções no funcionamento.
O sistema identifica e corrige falhas automaticamente.
Quando isso não é possível, ele gera um diagnóstico e abre uma ordem de serviço automatizada.
Funcionária da Atlas Schindler em Londrina (PR): a empresa desenvolveu plataforma que integra elevadores a robôs autônomos
Divulgação
A Atlas Schindler também desenvolveu uma plataforma que integra elevadores a robôs autônomos e sistemas prediais, independentemente do fabricante ou da tecnologia utilizada.
A solução permite que robôs utilizem os elevadores de forma totalmente autônoma para tarefas como entrega de refeições, medicamentos e outros serviços internos.
“O elevador deixou de ser só um meio de transporte.
Hoje ele virou uma interface entre o usuário e o edifício”, diz Thaize Schmitz, CTO para a América Latina do Grupo Schindler.
A gestão de tráfego de pessoas permite que os edifícios não fiquem “engarrafados” nos horários de pico, com filas nas portas dos elevadores, e a conectividade de alguns modelos com o celular do usuário permite que as telas internas do elevador divulguem informações personalizadas, explica a executiva.
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