Projeto 'Sonhar em Praça Pública' propõe conversas para pensar sobre o futuro do país

Projeto 'Sonhar em Praça Pública' propõe conversas para pensar sobre o futuro do país - Foto
Fonte da notícia: CBN CBN

Que sonhos sonhamos para o futuro do país? A quem é permitido sonhar e em quais condições? Daniela Arrais e Luisa Voll convidaram pessoas diversas para ocupar praças e falar de seus sonhos em cinco capitais: Belém, Goiânia, Porto Alegre, Recife e São Paulo. O resultado dessas conversas está em um curta metragem documental que será lançado amanhã em São Paulo, o “Sonhar em Praça Pública”.

As duas são sócias da Contente.vc, um laboratório de ideias voltado para a comunicação consciente, dados e mobilização de opinião pública, e comentaram sobre o projeto no Estúdio CBN desta sexta-feira (16). Nosso trabalho é ser esse pulso da cultura. E, por muitos anos, a gente percebeu como a distopia tem ocupado espaço. Na imaginação, no entretenimento, livros, séries, filmes... A gente sabe de cor e salteado inúmeras formas de como o mundo acaba. De como as mulheres sofrem, de como se perdem democracias. Mas a gente não vê nesse imaginário compartilhado formas que o mundo dá certo, que o Brasil dá certo. Então a gente ficou por muito tempo com essa inquietação. E unindo esse desejo a uma vontade de estar nas ruas, de estar com as pessoas. A gente pensou: é tempo de sonhar. É tempo de sonhar em Praça Pública. Então lá fomos nós. Além de um ambiente de trocas ativas de ideias, o 'Sonhar em Praça Pública' nasceu com a proposta de oferecer às pessoas um espaço em que pudessem dizer o que sonham — e, inclusive, discordar umas das outras, como ressalta a dupla — de maneira offline, longe das telas dos celulares e computadores. Por conta disso, a escolha por organizar essas rodas de conversa em praças públicas no centro de grandes cidades do país surgiu de maneira natural. Nos encontros, os participantes são dispostos em um grande círculo e têm a oportunidade de compartilhar os seus pontos de vista para o futuro em um púlpito. Segundo Daniela e Luisa, esse formato subverte a lógica tradicional da política brasileira, pois oferece a qualquer pessoa a chance de se sentir verdadeiramente ouvida. Todo mundo acha meio estranho e a gente agradece muito a confiança das pessoas num convite meio louco. 'Vem aqui sonhar em praça pública com umas pessoas que vocês nem conhecem'. Elas vão, elas começam a se conectar e elas sobem no púlpito. E quando elas sobem ali, vem uma força, um ombro que abre e um empoderamento mesmo de dizer 'eu consigo sonhar, eu consigo pensar num futuro que dá certo'. Por mais que a internet e o mundo inteiro queiram dizer que a gente não tem chance, que a gente está sendo massacrado, que a gente não pode fazer uma mudança, toda mudança começa num sonho, começa num desejo. Elas contam que, mesmo em cidades separadas por quilômetros de distância umas das outras, os encontros revelaram uma particularidade especial: no fim das contas, todos sonhavam e desejavam cenários muito parecidos para o futuro do país.

A gente quer uma cidade segura para as mulheres. Todas as mulheres falando o quanto elas querem poder habitar a praça, andar na rua à noite sem ter medo. Todo mundo quer preservar a natureza. Todo mundo quer viver em cidades mais verdes, usar mais o transporte público, sair de um lugar individualista, de estar lá no seu carro dentro de um engarrafamento e pensar que as cidades podem promover uma mobilidade urbana muito melhor. Sim, a gente quer segurança e uma vida boa para todas as crianças. A gente quer viver com tempo livre. Inclusive, foi uma das falas muito lindas do documentário, que um dos homens presentes falou que ele viu que os homens aprenderam outra linguagem que não fosse da violência. A gente tem esse desejo em comum de segurança, liberdade, tempo livre, natureza, uma vida boa para as crianças. O resultado dessas conversas originou o curta-metragem documental de mesmo nome, que será apresentado neste sábado (17), a partir das 10h, no Teatro YouTube, em São Paulo. A entrada é franca e os ingressos podem ser obtidos através da plataforma Sympla.

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