Projeto de urbanização em Paraisópolis prevê extensão de avenida, novo parque e conjuntos habitacionais com recursos da Faria Lima
Paraisópolis, a favela mais populosa de São Paulo e a terceira maior do país, vai ganhar um projeto de reurbanização nos próximos anos que inclui um novo parque, obras viárias, novos conjuntos habitacionais e canalização de córregos. O total de investimentos soma R$ 1,7 bilhão, custeados com os recursos arrecadados no último leilão de títulos para novas construções na Avenida Faria Lima e arredores.
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O projeto, que vai abarcar além do Paraisópolis as comunidades vizinhas Jardim Colombo e Porto Seguro, entra em consulta pública nesta sexta-feira (9), e a população terá dez dias para contribuir com sugestões e críticas.
Entre as obras viárias, a de maior destaque é a extensão da Avenida Hebe Camargo, a principal via de Paraisópolis, até a estação São Paulo - Morumbi, da Linha 4 (Amarela) do metrô. Também estão previstas as aberturas e melhorias de 17,8 quilômetros de ruas e avenidas, com reformas de calçadas, enterramento de fiação, obras de drenagem e arborização de vias.
Projeção de rua em Paraisópolis, que passará por projeto de urbanização
Reprodução/Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento de São Paulo
As vielas mais estreitas serão alargadas, e os córregos do Antonico, em Paraisópolis, e do Jardim Colombo, terão parques lineares. Também está prevista a criação do parque linear Itapaiuna, para ampliar as áreas verdes na região. Um estudo feito por pesquisadores do Centro de Estudos da Favela da Universidade Federal do ABC (UFABC) com imagens de satélite mostrou que no verão de 2024 e 2025, a favela de Paraisópolis registrou temperaturas de superfície de até 45 ºC, enquanto o Morumbi, bairro vizinho de alto padrão, ficou em torno de 30ºC, uma diferença de temperatura de até 15ºC.
Outro eixo é a habitação, que vai incluir tanto a construção de novos empreendimentos habitacionais dentro do Complexo Paraisópolis e arredores, quanto a compra de apartamentos construídos pela iniciativa privada por meio do Programa Pode Entrar, que oferece moradia subsidiada para a população que ganha até três salários mínimos. Atualmente, já existem dois conjuntos em obras, com 812 unidades ao todo, mas a ideia é fazer um chamamento para garantir até 3 mil novos imóveis.
Projeção da Avenida Hebe Camargo, que será prolongada e passará por reformas
Reprodução/Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento de São Paulo
Isso porque, durante as obras, haverá necessidade de desapropriar casas. A prefeitura estima que cerca de 2 mil pessoas terão de ser removidas, principalmente aquelas que vivem em áreas de risco. Ainda há outras pessoas que já foram removidas, e atualmente recebem auxílio-aluguel da prefeitura. Em relação aos comerciantes, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) já adiantou que vai indenizar os que tiverem de deixar seus comércios.
— Pela lei, podemos oferecer habitações que sejam no território da operação urbana. Então pode ser que não seja dentro (das comunidades), uma parte será, mas pode ser que alguma seja próxima, em áreas vizinhas. Para isso, a gente vai lançar em fevereiro um edital do Pode Entrar Operação Faria Lima — explica a secretária de Urbanismo e Licenciamento, Bete França — A obra de urbanização numa área tão densa como esse território é um desafio, porque há pessoas vivendo em casas em cima do córrego, por exemplo. Há famílias que temporariamente vão mudar de lugar, vão ficar no aluguel, tem que ter uma estratégia bem desenhada, todo o cuidado necessário.
Prefeitura prevê alargamento de vielas, com construção de calçadas, plantios de árvores e enterramento de fios em Paraisópolis
Reprodução/Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento de São Paulo
A Faria Lima e trechos de avenidas que abrigam os escritórios de grandes empresas e alguns dos residenciais mais caros da cidade fazem parte de uma Operação Urbana Consorciada, que são instrumentos urbanísticos criados em áreas cujo desenvolvimento é incentivado. Para construir prédios altos nesta região, é preciso comprar Certificados de Potencial Adicional Construtivo (Cepacs). Cada certificado dá direito a construir uma determinada área, que varia dependendo do local. O último leilão foi realizado em agosto de 2025, poucos meses após Paraisópolis passar a integrar o perímetro da operação como beneficiária das obras financiadas com o dinheiro pago pelas construtoras.
Após a consulta pública, a prefeitura vai começar a preparar os editais para as obras viárias, e os documentos precisarão passar por análise do Tribunal de Contas do Município (TCM). A expectativa, segundo a secretária, é que as obras viárias comecem a partir do segundo semestre de 2026 e durem cerca de quatro anos, mas as obras nos córregos do Antonico já estão em andamento.
O projeto ainda inclui a construção de novos equipamentos públicos, como o Pavilhão Cultural do Grotão, que terá 7,5 mil metros quadrados, uma arena esportiva, uma nova UPA 24 horas, um novo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), creches e escola de ensino fundamental integral.
