Projeto de SAF do Fluminense admite preocupação com imbróglios de Botafogo e Vasco, mas segue otimista por aprovação

 

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A SAF do Fluminense depende da aprovação dos conselheiros e dos sócios do clube para, enfim, virar realidade. Até por conta disso, a diretoria tricolor adota cautela para falar sobre o assunto — na semana passada, o presidente Mattheus Montenegro, inclusive, preferiu não se aprofundar no tema em coletiva de imprensa.

O plano inicial é colocar em votação, no começo do 2º semestre, o projeto apresentado pela gestora LZ Sports ao Conselho Deliberativo, em setembro do ano passado. Mas todos os passos têm sido dados com cautela. Além de prezar pela transparência, há uma certa preocupação das partes com a opinião pública em relação às SAFs, em meio à polêmica recente no Botafogo de John Textor e ao imbróglio jurídico do Vasco que culminou com a retirada da 777 Partners. Por outro lado, tanto o clube quanto os investidores mantêm otimismo no planejamento.

Há o entendimento de que as SAFs possam estar com a imagem manchada no cenário nacional em razão das disputas judiciais nos rivais cariocas, o que poderia interferir negativamente nas votações dos conselheiros e sócios. Internamente, a má fama seria injusta, uma vez que os principais culpados, em ambos os casos, seriam os gestores dos clubes-empresa, não o modelo de negócio em si.

Mattheus Montenegro (à direita) e o vice Ricardo Tenório vencem a eleição presidencial do Fluminense

Marcelo Gonçalves / Fluminense FC

No caso do Fluminense, as partes envolvidas não veem comparativo com o Botafogo e o Vasco, por exemplo. Internamente, enxerga-se como diferencial o fato de a maior parte dos investidores ser tricolor, focada exclusivamente no clube e com visão de longo prazo, o que reforçaria a credibilidade das garantias financeiras do projeto.

Um dos fatores que podem diminuir a influência de algumas SAFs na opinião pública é justamente o detalhamento da proposta, o que, por sua vez, demanda tempo para acertar todos os contratos, termos e diligências. Após amarrar todas as arestas, as partes acreditam ser possível convencer os torcedores tricolores de que o modelo está associado a uma série de benefícios, como a profissionalização e a redução da dívida.

Além disso, existe o consenso de que a situação financeira do Fluminense impactará o valor da proposta, sendo que há o desejo de aumentar o aporte inicial de R$ 500 milhões (R$ 250 milhões à vista e a outra parcela em até dois anos). Os investidores, inclusive, já tiveram acesso a uma versão prévia do balanço de 2025, mas ainda faltam detalhes finais para que ele seja divulgado até o fim de abril.

Se a dívida diminuir (foi de R$ 871 milhões no último balanço divulgado), o associativo pode aumentar a sua porcentagem nas ações da SAF, já que essa divisão será definida pelo tamanho da despesa do clube no momento da aquisição. Em fase de due diligence (diligência prévia e minuciosa) neste momento, o Fluminense prevê, de forma otimista, que a SAF possa ser aprovada por volta de julho deste ano, após a criação das comissões internas e externas.