Projeto Aquarius reúne Emicida, Leci Brandão e OSB em concerto no Rio neste sábado (19): 'Coisa extraordinária'

Projeto Aquarius reúne Emicida, Leci Brandão e OSB em concerto no Rio neste sábado (19): 'Coisa extraordinária' - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Não há vivência ou trajetória profissional que resguarde um artista da emoção de uma estreia. A sensação será comum a duas das estrelas do concerto de hoje do Projeto Aquarius, na Praça Mauá, na Zona Portuária do Rio. Titular da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba) desde 2011, o maestro Carlos Prazeres, de 52 anos, participará pela primeira vez da iniciativa desenvolvida em 1972 pelo GLOBO, assim como fará sua primeira regência em um evento público à frente da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). Já Leci Brandão, com 82 anos recém-completados, uma das convidadas especiais da apresentação, ao lado do rapper Emicida, também debutará cantando junto de uma formação sinfônica. — Estou muito feliz com essa oportunidade, poder cantar com uma orquestra. Ainda que com esses anos todos de carreira, sempre dá uma expectativa diferente. Fica aquela preocupação, se vai dar tudo certo. Se Deus quiser, vai — torce a cantora. Leci Brandão e Emicida: encontro de gerações Leo Martins e Maria Isabel Oliveira Celebração de legados Após abertura com DJ Nyack e Ensemble da Fundação Theatro Municipal de São Paulo (FTM), às 14h, Prazeres rege a OSB em um repertório que inclui obras de Carlos Gomes ( “Alvorada” da ópera “Lo Schiavo”), Tchaikovsky (“Abertura 1812”), Villa-Lobos (“Trenzinho do caipira”), Ennio Morricone (“Cinema Paradiso”) e “Um abraço no tempo”, composição do acordeonista e arranjador Marcelo Caldi, a partir de um projeto com a Osba, em 2020. Tendo como tema “A música e o tempo” e apresentação de Pedro Bial e Maria Fortuna — repórter do Segundo Caderno do GLOBO e responsável pelo videocast “Conversa vai, conversa vem” —, o concerto terá ainda sucessos de Leci (“Só quero te namorar”, “Zé do Caroço”) e Emicida (“Quem tem um amigo tem tudo”, “AmarElo”). — Uma coisa muito positiva que vejo na juventude de hoje é saber celebrar o legado dos antepassados. Muitas vezes a minha geração não sabia. Vejo o valor que dão ao samba, não só pelo ritmo, mas também pela mensagem. O samba tem um simbolismo enorme, uma resistência a 388 anos de escravidão no país. E teremos essa deusa que é a Leci Brandão, absolutamente incrível — destaca Prazeres. — Ao mesmo tempo, teremos a força da música do Emicida, que tem origem no hip hop mas que já furou essa bolha há muito tempo, é um grande nome do pop. Carlos Prazeres: 'A música clássica precisa se adaptar ao século XXI', diz o maestro Divulgação/Lucas Seixas A sambista também se empolga ao dividir pela primeira vez o palco com o rapper, que a convidou, em 2024, para participar de um de seus projetos, o podcast “Sambas contados”. — Além do podcast, tive oportunidade de encontrá-lo algumas outras vezes, mas nunca no palco. Tenho um respeito e uma admiração enorme por ele. É um jovem com uma cabeça muito diferente dos artistas da sua idade, se preocupa com a questão do ser humano — enaltece Leci, para quem, assim como o rap, o samba tem o poder de abordar temas sociais de forma mais ampla. — A música é uma coisa extraordinária, que pode te remeter a uma época, a uma situação afetiva, ou a uma questão da sociedade. Quando você faz uma letra que atinge as pessoas, tudo acontece de forma natural. É uma coisa até espiritual. Uma das atrações da Semana de Arte do Rio, que segue até o dia 27 com mais de 500 eventos, o Projeto Aquarius já promove, há mais de cinco décadas, a ocupação do espaço público através da cultura, como é o intuito da atual programação criada pela Secretaria Municipal de Cultura. Vice-presidente e CEO da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira, formação que participou do Aquarius em mais de cem apresentações, Ana Flávia Cabral Souza Leite observa que a democratização da cultura está entre as missões da OSB. — Uma cidade também se constrói pelos encontros que permite. Quando a OSB toca em uma praça, pessoas de diferentes gerações e referências culturais passam a compartilhar uma experiência artística, de emoção e de descoberta. O Centro do Rio é lugar de passagem e de trabalho, mas também de permanência, convivência e histórias — analisa Ana Flávia. — O Aquarius faz parte dessa construção há décadas. Há quem volte porque guarda a lembrança de um concerto e há quem encontre uma orquestra pela primeira vez. Riqueza de timbres Para Ana Flávia, além de oferecer novas possibilidades aos convidados, a orquestra também se transforma ao tocar com os artistas. — O samba e o rap contam histórias, afirmam identidades e fazem ouvir pessoas e territórios que muitas vezes tiveram pouco espaço de expressão. A orquestra entra nesse encontro com sua riqueza de timbres, suas possibilidades de criar complexidades e de dar novas dimensões à escuta — comenta. — E Carlos Prazeres reúne qualidades muito afinadas com o espírito do Aquarius: consistência artística, abertura a diferentes repertórios e capacidade de estabelecer uma comunicação viva com o público. O trabalho que vem desenvolvendo com a Osba dialoga com esse desejo de aproximar a experiência sinfônica da vida das pessoas. Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet, Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal da Cultura apresentam o Aquarius RJ. O evento conta com o Patrocínio da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura e da Light e da Vale; Apoio da Porto, Vivo, IRB (Re) e da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado do Rio de Janeiro e Participação de Président e Rede D'Or. Hotel Oficial Windsor, Assessoria de Imprensa da InPress, Parceria da P&G Cenografia e da Orquestra Sinfônica Brasileira, Produção da SRCOM e tem as rádios Globo e CBN como Rádios Oficiais. A Realização é do GLOBO e Ministério da Cultura.

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