Projeções econômicas e fiscais do governo são ‘extremamente otimistas', diz órgão ligado ao Senado
As projeções econômicas usadas pelo governo na elaboração do Orçamento deste ano e dos próximos são “extremamente otimistas”, afirma a Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado, em relatório divulgado nesta quinta-feira.
Para a IFI, o atual arcabouço fiscal mantém sua sobrevivência com o cumprimento das metas fixadas, alcançadas com o uso dos expressivos descontos legais previstos e dos limites da banda de tolerância em relação ao centro da meta.
Por outro lado, diz o órgão, os déficits primários efetivos são ainda recorrentes e a dívida pública mantém a trajetória de preocupante crescimento.
A Guerra do Irã e seus impactos sobre os preços do petróleo e derivados produziram, como efeito colateral, uma folga fiscal não prevista, em 2026, que não só permitiu a adoção de medidas mitigadoras — renúncias e subvenções — em relação ao choque externo, como criou o ambiente fiscal para decisões como o fim da “taxa das blusinhas”, além de formar um colchão de segurança contra riscos de não cumprimento das metas fiscais, no presente ano, afirma o IFI.
“Não é crível esperar, dada a crescente aproximação do ambiente eleitoral, medidas mais profundas e radicais de ajuste fiscal", afirma a Instituição.
Para a IFI, a grade de parâmetros que embasou o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, assim como as projeções fiscais, são um cenário
“crescentemente desafiador”, já que as metas previstas para o resultado primário são de 0,5%, 1,0%, 1,25% e 1,5% do PIB para os anos de 2027, 2028, 2029 e 2030, respectivamente.
“Inevitável assinalar que os parâmetros macroeconômicos utilizados pelo governo e que fundamentam os números presentes no PLDO 2027 são extremamente mais otimistas que os utilizados pela IFI”, diz o relatório.
Segundo a entidade, essas discrepâncias em relação ao comportamento da inflação, do PIB, dos juros, do câmbio, entre outras variáveis, levam inevitavelmente a divergências substanciais quanto às projeções de receitas e despesas, e, consequentemente, dos resultados primários para os próximos anos, e a trajetória da dívida pública resultante.
A IFI prevê a dívida em 117,7% do PIB em 2036, enquanto o governo estima que será de 83,4%.
Já o governo espera que o crescimento da economia suba gradualmente nos próximos anos, alcançando 2,7%, em 2030, e 3,0% em 2036. A Instituição espera um crescimento mais modesto.
