Projeção de inflação do Focus ultrapassa os 5%, mas Copom deve seguir com cortes de juros, dizem economistas

Projeção de inflação do Focus ultrapassa os 5%, mas Copom deve seguir com cortes de juros, dizem economistas

 

Fonte: Bandeira



As projeções para a inflação de 2026 subiram mais uma vez no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central. Dessa vez, a média de expectativas do mercado ultrapassou, pela primeira vez neste ano, os 5%, chegando a 5,04% e se distanciando cada vez mais do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional em 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. Essa é a 11ª semana consecutiva de alta.

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Ainda assim, economistas acreditam que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve seguir com o ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, mas em movimento cauteloso. Para Fábio Romão, economista da 4intelligence, até existe o risco de uma interrupção nos cortes, mas o mais provável é que apenas siga em um ritmo mais lento do que o antes esperado, mantendo reduções de 0,25 pontos percentuais até o final do ano.

— A Selic está num nível restritivo e existe uma gordura, então mesmo cortando juros, não vai para o campo de estimular a atividade econômica, a taxa vai continuar alta — apontou.

Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, lembrou ainda que a janela de tempo usada pelo Banco Central para projetar a trajetória da inflação já está em 2027, embora surpresas altistas para o fim deste ano contribuam para a necessidade de cautela.

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Ela explica que as projeções do Focus para o fim do ano que vem também estão aumentando, e já chegam a 4,01%. Segundo a economista, os efeitos da guerra entre Estados Unidos e Irã estão entre os principais fatores que explicam essa alta acima do esperado, embora ainda hajam outras pressões sobre os preços de itens como alimentos.

— Nos próximos meses, alimentos devem continuar subindo como reflexo imediato da guerra. Então, primeiro subiu combustíveis, depois os alimentos, que vão encarecendo mais, além de a sazonalidade ruim também atrapalhar — disse ela.

Se até agora a guerra impactava os alimentos a partir do encarecimento do frete, com a alta dos combustíveis, mais a frente a redução da oferta mundial de fertilizantes também pode trazer ainda mais pressões. Esse cenário se soma à previsão de um El Niño e faz com que Romão já projete uma alta de 7% para a alimentação no domicílio ao fim do ano, número bem maior que os 3,6% previstos pelo Focus em 27 de fevereiro, antes da guerra.