Proibida por lei, linha chilena é vendida na internet sem fiscalização; denúncias sobre uso dobram no Rio
Apesar de ser proibida por lei, a linha chilena continua sendo vendida com facilidade em vários lugares, principalmente pela internet. Plataformas como Mercado Livre, Shopee e Shein oferecem esse tipo de produto com preços acessíveis e, muitas vezes, sem qualquer tipo de fiscalização. Os valores variam de 20 a 200 reais, e, em alguns casos, são vendidos pacotes com mais de 12 carretéis.
E os números mostram o avanço do problema. As denúncias sobre o uso do material mais que dobraram no estado do Rio. Segundo o Disque Denúncia, foram 561 registros em 2024 e 1.203 no ano passado. Só nos três primeiros meses deste ano, já são 110 casos.
O coordenador do Disque Denúncia, Renato Almeida, alerta para os riscos da linha chilena e a diferença em relação à linha comum.
"A linha chilena é feita com uma mistura de cola e quartzo moído, que tem um poder de corte quatro vezes maior que o cerol. Isso transforma uma brincadeira em algo potencialmente letal. Um fio quase invisível pode causar cortes profundos no pescoço, levando a ferimentos graves e até a morte. Pedestres também correm risco, principalmente crianças. Em muitos lugares, a fabricação, venda e uso de linha chilena já são proibidos por lei, mas a fiscalização depende da participação da população. Quando alguém denuncia um ponto de venda, um local de uso ou um grupo que está utilizando esse tipo de linha, dá às autoridades a chance de agir."
O uso do produto fez mais uma vítima recentemente. O administrador Leandro Rezende Cardoso, de 45 anos, morreu depois de ser atingido no pescoço por uma linha chilena, em Cascadura, na Zona Norte do Rio.
Ele voltava pra casa depois do trabalho, chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Salgado Filho, mas não resistiu. O caso reforça o perigo desse tipo de material, que pode ser até quatro vezes mais cortante que o cerol. As autoridades orientam que motociclistas utilizem a antena corta-pipa como forma de proteção, mas o uso ainda é feito de forma incorreta em muitos casos.
Especialistas recomendam a instalação do equipamento dos dois lados da moto. Quando a antena é usada só de um lado, dependendo da posição da linha, o motociclista ainda pode ser atingido. A antena corta-pipa não é obrigatória para motos de uso particular, mas é exigida por lei para motofretistas e mototaxistas, e recomendada para todos como medida de segurança.
A investigação sobre a venda e o uso ilegal da linha chilena é de responsabilidade da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente.
A Polícia Civil informou que mantém atuação permanente no combate à fabricação, venda e uso desses materiais, com operações em lojas clandestinas e fábricas, além de ações de inteligência e monitoramento para identificar os responsáveis.
Segundo a corporação, apesar das prisões, muitos envolvidos acabam voltando a praticar o crime por conta de leis consideradas brandas.
A instituição afirma que vai seguir intensificando as ações para tentar reduzir esses casos e responsabilizar quem insiste em colocar vidas em risco.
