Programação de encontro entre Lula e Trump foi modificada a pedido de delegação brasileira; entenda
A reunião entre os presidente brasileiro Lula e o dos Estados Unidos, Donald Trump, acontece nesta quinta-feira (7) na Casa Branca.
A expectativa inicial era de que os dois falassem com a imprensa antes da conversa, mas houve uma mudança a pedido da delegação brasileira.
Com isso, haverá a reunião primeiro, e, após essa reunião, será autorizada a entrada da imprensa no Salão Oval para realização de perguntas.
O petista chegou na Casa Branca por volta das 12h15 e foi recepcionado por Trump.
O chefe do Executivo brasileiro passou a noite na residência oficial da embaixadora do Brasil em Washington e vai esta manhã para a Casa Branca.
O encontro é classificado como "visita de trabalho", modalidade mais objetiva e discreta do que uma visita de Estado.
Diferentemente de cerimônias oficiais com jantar de gala e honras militares, o encontro será concentrado em negociações bilaterais e conversas reservadas no Salão Oval. A comitiva de Lula indica que os dois líderes devem discutir parcerias estratégicas em minerais críticos e terras raras; o combate ao crime organizado; a eliminação total das tarifas; e investigações sobre o PIX.
O último a integrar a equipe foi o ministro de Minas e Energia, Alessandro Silveira.
A questão das terras raras é estratégica para os Estados Unidos porque o Brasil concentra a segunda maior reserva dos minerais críticos, considerados essenciais para a transição energética, indústria de defesa e a produção de tecnologia.
Na reunião, Lula deve citar o projeto aprovado nesta quarta-feira (6), na Câmara dos Deputados, que cria o Marco Legal para Minerais Críticos. A lei estabelece as regras de exploração de elementos como lítio, cobalto, nióbio, grafite e terras raras.
O projeto prevê a criação de um conselho para gerir os recursos e avaliar risco o risco geopolítico e econômico de parcerias internacionais. O projeto limita a exportação de materiais brutos, e cria incentivos fiscais para empresas que invistam no beneficiamento e exportação de produtos com maior valor agregado.
Para destravar os investimentos no setor, o texto cria um fundo de R$ 5 bilhões, com recursos públicos e privados. O presidente da Câmara, Hugo Motta, disse que a lei vai guiar o Brasil na exploração dos minerais críticos e proteger a soberania nacional.
Outro assunto que deve ser prioritário na reunião é a cooperação internacional no combate ao crime organizado. Para isso, terá a presença do ministro da Justiça e do diretor-geral da Polícia Federal na comitiva de Lula.
O governo americano vem considerando a possibilidade de classificar as facções criminosas brasileiras como PCC e Comando Vermelho como "organizações terroristas". O Itamaraty resiste à ideia e prefere focar na cooperação técnica para repressão à lavagem de dinheiro e tráfico de armas. O governo brasileiro teme que a mudança resulte em ingerência e sanções.
Nessa quarta, Trump aprovou uma nova estratégia antiterrorista que estabelece a eliminação dos cartéis de drogas como a prioridade do governo.
Para discussões na área econômica, Lula levou os ministros da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Apesar do recuo de Trump sobre o tarifaço, o Brasil está sendo investigado com base na seção 301 da Lei de Comércio americana.
Os Estados Unidos investigam, por exemplo, se o PIX cria um monopólio estatal que prejudica empresas americanas de cartões e pagamentos como Visa, Mastercard e PayPal. Antes de deixar o Brasil, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que Lula vai contestar as alegações americanas contra o sistema de pagamento instantâneo brasileiro.
