Programa de renegociação de dívidas é aprovado por 46%, mas quase metade dos brasileiros não ouviu falar do Desenrola

 

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A pesquisa Genial/Quaest divulgada na manhã desta quarta-feira mostra que o programa Desenrola Brasil vem ganhando adesão entre os brasileiros, mas ainda enfrenta um desafio relevante de conhecimento público. Segundo o levantamento, 46% aprovam a iniciativa, um avanço em relação aos 42% registrados em dezembro de 2025 e aos 40% de setembro do mesmo ano. Ao mesmo tempo, 45% afirmam não conhecer o programa, percentual que, embora em queda, ainda representa quase metade da população.

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Os dados indicam que, apesar da melhora na avaliação, o alcance do Desenrola segue limitado. A taxa de desconhecimento caiu de 53% em setembro de 2025 para os atuais 45%, enquanto a desaprovação oscilou de 6% para 9% no mesmo período. O cenário sugere que o programa tem ampliado sua aceitação à medida que se torna mais conhecido, mas ainda não conseguiu atingir de forma homogênea todos os segmentos da população.

O levantamento também mostra mudanças no perfil de endividamento dos brasileiros. A parcela que declara ter poucas dívidas subiu de 33% para 43% entre maio de 2025 e abril de 2026, enquanto aqueles que dizem ter muitas dívidas recuaram de 32% para 29%. Já os que afirmam não ter dívidas caíram de 34% para 28%. A leitura geral é de uma migração para níveis mais moderados de endividamento, com redução dos extremos.

Apesar disso, há amplo consenso sobre a necessidade de políticas públicas voltadas ao tema. Segundo a pesquisa, 70% dos entrevistados defendem que o governo federal invista em programas de renegociação de dívidas, enquanto 24% são contrários. O resultado indica forte respaldo social a iniciativas como o Desenrola, independentemente do nível de conhecimento sobre o programa específico.

Em relação à política tributária, os dados mostram estabilidade na percepção sobre a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, sancionada por Luiz Inácio Lula da Silva em novembro de 2025. Hoje, 31% dizem ter sido beneficiados diretamente pela medida, contra 66% que afirmam não terem sido impactados — números praticamente inalterados desde fevereiro. Antes da implementação, no entanto, a expectativa era significativamente maior: 61% acreditavam que seriam beneficiados.

Entre aqueles que afirmam ter sido alcançados pela isenção, metade diz não ter percebido diferença na renda. Outros 33% relatam aumento, mas não significativo, e apenas 17% dizem ter sentido uma melhora expressiva. Os dados sugerem que, embora a política tenha efeito direto para parte da população, o impacto percebido no dia a dia ainda é limitado e dentro da margem de erro ao longo dos últimos meses.

A pesquisa da Quaest em parceria com a Genial Investimentos está registrada no TSE sob o número BR-09285/2026. Foi realizada entre os dias 9 e 13 de abril. Foram entrevistados presencialmente 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais. As margens de erro por grupo sociodemográfico estão informadas na página 4 do relatório.

Intenção de voto e aprovação

A pesquisa da Quaest mostra deterioração na avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o levantamento, 52% dos brasileiros desaprovam a gestão, enquanto 43% aprovam — leve piora em relação a março, quando os índices eram de 51% e 44%, respectivamente. Desde janeiro, a desaprovação subiu três pontos percentuais, enquanto a aprovação caiu quatro.

O recorte por perfil do eleitorado indica que o presidente mantém desempenho mais favorável em grupos que historicamente compõem sua base de apoio. No Nordeste, por exemplo, a aprovação chega a 63%, apesar de uma queda desde o início do ano. Entre os mais pobres, com renda de até dois salários mínimos, o índice é de 57%, e entre idosos (60 anos ou mais), 51%. Também é nesse público que o governo registra as menores taxas de rejeição.

Por outro lado, a desaprovação é majoritária em regiões como Sul (62%) e também no Sudeste e no Centro-Oeste/Norte (58% em ambos). Entre eleitores com renda mais alta, acima de cinco salários mínimos, 62% desaprovam o governo. O mesmo ocorre entre os mais escolarizados: 62% dos que têm ensino superior avaliam negativamente a gestão.

A pesquisa também mostra que 57% dos entrevistados afirmam já ter uma decisão consolidada sobre o voto, enquanto 43% ainda admitem possibilidade de mudança. Entre os chamados eleitores independentes, que não se identificam com campos políticos, a desaprovação ao governo é ainda mais elevada, chegando a 58%, ante 32% de aprovação.