Programa confunde robô que copia texto para treinar IA - QTU Questões do Universo

Programa confunde robô que copia texto para treinar IA

Fonte: Bandeira da fonte

Gabriel Abrucio e Isaque Seneda: o software criado em julho está em destaque no repositório de códigos-fonte GitHub
Divulgação
Uma nova ferramenta gratuita promete enganar robôs que vasculham a internet para copiar textos e treinar modelos de inteligência artificial, sem a autorização de seus criadores.
O software de código aberto ShieldFont surgiu como um manifesto prático em defesa dos direitos autorais na era da IA, contam seus criadores, os publicitários brasileiros Gabriel Abrucio e Isaque Seneda, ao Valor.
O ShieldFont (ou “escudo de fonte”) é um software que consegue contaminar textos, trocando as suas palavras - “casa” em vez de “montanha”, por exemplo.
As palavras erradas não aparecem ao leitor comum, que enxerga o texto correto na tela do celular ou do computador.
O texto embaralhado fica atrás da tela, nos bastidores, onde está o código-fonte ou a programação que criou a página.
Os robôs conhecidos como “scrapers” (extratores) buscam os textos justamente nos bastidores.
Com o software criado por Abrucio e Seneda, em parceria com a dinamarquesa Playtype, especializada em design de fontes, os robôs passam, então, a coletar palavras sem sentido, envenenando o treinamento da IA.
“O projeto veio de uma percepção de que grande parte da varredura de modelos de IA, por questões de custos, busca o código-fonte de conteúdos on-line”, diz Seneda.
O projeto lançado no fim de julho entrou nos destaques do repositório de códigos-fonte GitHub.
A experiência própria também ajudou.
“Começamos a notar um acesso gigantesco de scrapers entrando no site com nosso portfólio e roubando nosso conteúdo”, disse.
O site da S&A Studio, a empresa de Seneda e Abrucio, até adota um protocolo recomendado pelas grandes empresas de tecnologia, o robot.txt, e que deveria funcionar como um aviso: conteúdo não pode ser copiado para treinar modelos de IA.
Mas isso não tem funcionado.
Os robôs entram no site e copiam o conteúdo, sem autorização.
Baseados em Amsterdã (Holanda), os dois publicitários desenvolvem projetos criativos para marcas na Europa, América do Norte, Reino Unido e Brasil
Não é um movimento contra a inteligência artificial, mas a favor da ética”
“Como 70% dos scrapers desrespeitam esse protocolo, pensamos em criar uma ferramenta que gerasse um prejuízo para esses modelos”, diz Abrucio.
Eles observam que a proposta do ShieldFont não é combater o avanço da IA.
“Nosso grande objetivo é lutar contra esse treinamento de IA não autorizado”, diz Abrucio.
“Não é um movimento contra a IA, mas a favor da ética na IA”, destaca.
A infração das leis de direitos autorais tem gerado o maior volume de processos judiciais contra empresas de IA no mundo, segundo a AI Lawsuit Tracker, sediada nos EUA.
Dos 200 processos mais relevantes mapeados desde 2020, 65,5% envolvem o uso não autorizado e não remunerado de conteúdos e obras de autores, informou a reportagem do Valor, no início do mês.
Por enquanto, o ShieldFont está disponível para textos em inglês e francês.
“O projeto está aberto para que as pessoas adotem e ajudem a aprimorar o ShieldFont”, diz Seneda.