Professora da Faetec foi registrada como presidente da República na carteira de trabalho

Professora da Faetec foi registrada como presidente da República na carteira de trabalho

 

Fonte: Bandeira



Uma professora da Faetec descobriu que foi registrada como presidente da República — e em outros cargos incompatíveis — na carteira de trabalho digital durante os quatro anos em que trabalhou na instituição. O caso foi exibido pelo RJ2, da TV Globo, e repercutiu nas redes sociais.

Patrícia Tavares deu aulas de inglês de 2011 a 2015 na unidade de Marechal Hermes, na Zona Norte do Rio, mas nunca teve a carteira assinada pelo cargo correto. Ao contrário: passou a maior parte do tempo registrada como presidente da República. No mesmo período, também constou como engenheira elétrica e dirigente de serviço público federal.

A situação foi descoberta em 2021, durante a pandemia, e desde então Patrícia tenta corrigir o erro. Ela diz que enfrenta dificuldades para conseguir emprego e teme prejuízos na aposentadoria.

"Desespero. Eu fiquei muito desesperada. Estávamos vivendo um momento de pandemia, não tinha acesso a lugar nenhum, tudo fechado. Eu senti medo porque achava que poderia até ser enquadrada como prática de crime federal, por envolver o presidente da República. Eu entrei em parafuso", contou a professora ao RJ2.

Patrícia buscou ajuda da Defensoria Pública do Rio e da União. A Defensoria do Rio informou que enviou uma série de ofícios à Faetec, mas não obteve retorno e, por se tratar de uma demanda previdenciária, encaminhou o caso para a Defensoria da União.

"Claro que tenho medo, porque a minha vida parou. Estou há cinco anos sem fazer nada", afirmou Patrícia.

Quando a Defensoria solicitou à Faetec a cópia do contrato de trabalho, o documento apresentado teria sido assinado por uma auxiliar de serviços gerais. Atualmente, após novas alterações no sistema, os anos em que ela trabalhou como docente aparecem na carteira digital como "ocupação não informada".

"Não sou professora, nem presidente, nem dirigente do serviço público federal, nem engenheira eletricista. Porque todas essas ocupações estavam anotadas na minha carteira de trabalho. Agora não sou nada. Perdi a identidade", disse a professora.

Procurada pela reportagem do RJ2, a Faetec afirmou que Patrícia está devidamente cadastrada na folha de pagamento com o cargo de professora e que enviou a declaração para ela em 2024. A fundação acredita que a divergência esteja relacionada a uma inconsistência no Código Brasileiro de Ocupações, do Ministério do Trabalho e Emprego.