Professora brasileira é eleita a educadora mais influente do mundo por fundação do 'Nobel da Educação'

 

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Reconhecida internacionalmente por seu trabalho na educação, a professora Débora Garofalo afirmou, em entrevista ao Jornal da CBN, que professores precisam ocupar de forma mais ativa os espaços de influência nas redes sociais para ampliar o debate educacional, democratizar o acesso à tecnologia e impactar políticas públicas. Ela foi reconhecida como a educadora mais influente do mundo pela Varkey Fundation, mesma fundação que criou o prêmio Global Teacher Prize, conhecido como o 'Nobel da Educação' e considerado o principal prêmio para educadores do mundo.

Criado neste ano, o reconhecimento foi concedido pela primeira vez e destacou o uso das mídias sociais como ferramenta de expansão do aprendizado para além da sala de aula.

Débora afirmou que utiliza as redes há anos como estratégia para democratizar o acesso à tecnologia e à inovação, especialmente em contextos de desigualdade educacional. Segundo ela, a atuação digital permite aproximação direta com professores de diferentes regiões do Brasil e do mundo.

"Então, eu venho pelo menos alguns anos via mídias sociais tentando democratizar o acesso à tecnologia e inovação no nosso país. Eu tive algumas passagens por secretarias de educação, através de políticas públicas. E ali é um meio que eu encontrei de estar muito próximo a educadores do nosso país e também do mundo para poder trocar, articular. Então, é dessa forma que eu me utilizo das mídias sociais hoje para democratizar o acesso à tecnologia e inovação".

Normalmente, influencers são artistas, cantores ou pessoas que não tratam como tema principal a educação. Débora a importância de professores ocuparem o papel de interlocutor de informações, como uma voz ativa nas redes sociais e, consequentemente, alcançar mais pessoas.

"O professor é um agente de transformação social. A gente costuma ouvir muitos artistas nesse papel, mas não professores. E eu acho que é uma liderança que extrapola os limites da sala de aula, é uma coisa muito natural. Ao valorizar o uso responsável da influência das redes sociais para ampliar o alcance da educação, eu acho que a gente está evidenciando que professores podem e devem ocupar espaços de voz pública, contribuindo para esse debate educacional, mas também inspirando outros educadores e influenciando, principalmente, as políticas públicas".

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Essa não é a primeira vez que o trabalho da professora é reconhecido internacionalmente. A mesma fundação que premiou Débora neste ano também reconheceu, em 2019, um projeto de robótica desenvolvido pela educadora na Escola Municipal Ary Parreiras, na capital paulista. Na época, ela foi a primeira mulher sul-americana a ser finalista do Global Teacher Prize, o "Nobel da Educação", e foi considerada uma das 10 melhores educadoras do mundo.

Ela explica que o trabalho deu certo, e que hoje se tornou uma política pública do estado de São Paulo e está presente em 5,4 mil escolas, impactando 3,7 milhões de estudantes.

"Soluções transformadoras podem nascer em contextos de alta vulnerabilidade social. E, com isso, existe todo um engajamento, um pertencimento desses estudantes. O trabalho de robótica, por meio da sucata, comprova que é possível. E a gente promoveu uma aprendizagem significativa, o pensamento científico, a criatividade, a consciência ambiental, mesmo em realidades que têm poucos recursos. E a gente ainda tem um país muito desigual. A educação no sudeste não é a mesma que no norte do país, em comunidades ribeirinhas. Isso reforça a ideia que inovação não depende apenas de tecnologia de ponta, mas principalmente de intencionalidade pedagógica, escuta dos estudantes, principalmente essa conexão com o território".

Ouça a entrevista completa: