Professor explica como, mesmo com 10 toneladas, a nave da Artemis II tem combustível para os 407 mil km

 

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A missão Artemis II, que tem previsão para voltar à Terra nas próximas horas, atingiu alguns marcos históricos. Entre eles, a maior distância já percorrida por seres humanos no espaço, chegando a 406.6 mil quilômetros do nosso planeta. A expedição ainda tem o caminho de volta e uma cápsula, batizada de Orion, que pesa mais de 10 toneladas. Com tantos números grandiosos assim, uma pergunta vem à mente. Como ela consegue ter combustível para uma viagem tão longa com um veículo tão pesado?

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A explicação está na gravidade e no vácuo do espaço. O professor de física e astronomia Jonas Stanley resume: "Você só gasta muito combustível com seu carro, pois não está se deslocando no vácuo e com gravidade baixíssima".

Ele demonstra que usa-se pouquíssimo combustível para uma viagem como esta. Se pensássemos nas contas do cotidiano terrestre, a Orion teria o peso de cinco SUVs e gastaria mais de 40 mil litros para percorrer só a trajetória de ida. Isso daria 32,5 toneladas apenas de peso de combustível, pelas contas do professor.

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Stanley, no entanto, conta que a missão gasta, sim, muito combustível para tirar a cápsula da órbita terrestre.

—A Artemis II é composta pela Orion e pelo foguete Space Launch System (SLS), e esse tem massa, sozinho, de 2.600 toneladas. O foguete é, basicamente, o tanque de combustível externo para que a Orion vença a gravidade terrestre e seja colocada em órbita ao redor da Terra, onde ficou por um ou dois dias. Vencido esse passo, os foguetes são descartados. Sabe aqueles foguetes da SpaceX, que ficaram famosos por serem os primeiros foguetes a darem ré? Eles, tal qual o SLS, são os tanques de combustível para que a nave tripulada seja retirada da nossa órbita. Note que o consumo de combustível para retirar a Orion da Terra é gigantesco — aponta o docente, que leciona no Colégio e Curso PB, nas unidades da Barra da Tijuca e Tijuca, no Rio de Janeiro.

É a partir deste momento que a cápsula segue o seu caminho, utilizando combustível estrategicamente em alguns momentos. Ao alcançar grandes altitudes, qualquer corpo fica sujeito a uma força gravitacional relativamente baixa em relação à Terra. Ela fez o seu trajeto em formato do numeral 8.

— O importante desse tipo de trajetória é que pouquíssimo combustível é usado em todo esse trajeto. Isso porque, para orbitar a Terra, o consumo é praticamente zero, pois a Orion fica sujeita a uma trajetória livre, tal qual a Lua girando ao redor da Terra. Após essas voltas ao redor do nosso planeta, é preciso utilizar um pouco de combustível para se livrar da trajetória circular e ir no sentido da Lua — pontua Stanley, que completa sobre o próximo passo: — Durante o caminho quase retilíneo, há muito pouco uso de combustível, isso porque, entre a Terra e a Lua, a única coisa que existe é o vácuo, ou seja, não existe resistência do ar e nem qualquer outro tipo de resistência ao movimento, o que vai existir (mesmo que agora muito pequena) é a gravidade fazendo uma força cada vez menor na cápsula.

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Depois disso, os quatro astronautas chegam a uma distância suficiente para que a Lua atraia a Orion, deixando de ser atraída pela Terra. Portanto, quase não é mais necessário o uso de combustível neste momento, a não ser para a correção de pequenos desvios. Entrando na órbita da Lua, ela vai contornar o satélite natural, momento que os agentes passaram pelo seu lado escuro.

Novamente, ela precisará usar combustível para se livrar desta trajetória circular e seguir para o caminho de volta.

— A partir desse livramento da órbita lunar, praticamente não há mais consumo de combustível. Então, apesar das centenas de milhares de quilômetros, usa-se combustível em pouquíssimos momentos nessa viagem — conclui Stanley.