Professor é agredido após questionar trabalho de agentes da Seop na Praia de Copacabana: 'Tentaram me enforcar com um mata-leão'; vídeo
Um professor de educação física foi agredido por agentes da Secretaria de Ordem Pública (Seop) que atuavam no calçadão da Praia de Copacabana na tarde deste domingo (22). As agressões começaram após o educador discordar da abordagem a um homem em situação de rua.
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Segundo Luan de Oliveira, um dos guardas mandou que ele se afastasse enquanto ele observava a cena dizendo, "sai fofoqueiro, está se metendo no nosso trabalho por quê?", ao que ele respondeu "eu tenho o direito de perguntar, façam o trabalho de vocês direito".
Depois de discutir com os agentes e proferir um palavrão, o professor virou-se de costas e seguiu andando. Foi nesse momento, de acordo com ele, que começaram as agressões. Parte delas aparecem em vídeo gravado por transeuntes.
— Três segundos depois que me virei, levei um golpe forte de cassetete na coxa. Logo em seguida já tinham quatro guardas em cima de mim. Eles me derrubaram no chão com chutes , tapas e, quando consegui levantar tentaram me enforcar com um mata-leão — relata.
O educador físico conta que se agarrou numa grade do calçadão num gesto de desespero, com medo de ser colocado dentro da viatura da Seop:
— Não sei o que poderiam fazer comigo, por isso me segurei na primeira coisa que vi na frente.
Segundo ele, quando conseguiu se desvenciliar dos guardas, com a ajuda da namorada, que chegou a ser empurrada pelos agentes, dezenas de populares se aproximaram para ajudá-lo. Em um vídeo que circula nas redes sociais, é possível ouvir pessoas gritando, "ele não fez nada, solta ele, isso é covardia", com questionamento aos guardas que cercavam o professor.
De acordo com Oliveira, os agentes queriam conduzi-lo para a delegacia na viatura da Seop.
— Eu disse que só iria para a DP na viatura da PM. Nesse momento, um dos guardas disse que era policial militar, e mostrou uma identificação sem valor legal para me levar — diz ele, que acha que o agente mentiu.
O professor, com auxílio de uma advogada que estava no calçadão e se ofereceu para representá-lo, e os agentes envolvidos nas agressões só foram conduzidos para a 13ª DP (Ipanema), após a chegada da Polícia Militar. Na delegacia, as partes realizaram uma retratação mútua, e foram liberadas, segundo Oliveira.
Professor é agredido por agentes da Seop na Praia de Copacabana
Em nota, a Seop disse que por volta das 14h30 do último domingo, um cidadão abordou a equipe e levantou questionamentos sobre sua atuação, em razão de uma abordagem feita instantes antes a uma pessoa em situação de rua. De acordo com a pasta, o homem havia sido abordado e orientado conforme procedimentos operacionais da pasta.
"Durante a conversa, o cidadão ofendeu integrantes da equipe com palavrões. Por conta disso, foi dada voz de prisão por desacato. Após ter sido emitido a voz de prisão, o cidadão não acatou e reagiu àdeterminação dos agentes. Neste momento, foram utilizados os meios necessários e legais para imobilização e condução. Como de praxe, a Seop também vai instaurar um processo administrativo para apurar os fatos", finaliza em nota.
Procurada, a Polícia Civil não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta matéria.
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