Produtos Ypê: não tenho nota fiscal, o que fazer? Como trocar ou ter devolução do dinheiro?
Produtos da marca Ypê como detergente, sabão em pó e desinfetantes terem sido alvo de um recall pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), consumidores que têm os itens em casa devem armazenar o produto fora do alcance de crianças e animais domésticos e devolvê-los tão logo a empresa informe como fará o recolhimento.
Produtos Ypê: Posso usar o detergente para lavar o chão? Devo descartar a esponja? Vigilância Sanitária responde
Segundo fiscais: Fábrica da Ypê tinha sujeira, e bactéria foi achada em produtos de limpeza duas vezes
A suspensão da Anvisa e da Vigilância Sanitária de São Paulo alcançou uma lista de 22 produtos, todos os lotes afetados possuem numeração final 1, produzidos pela Química Amparo em fábrica de Amparo, no interior paulista.
Muitos consumidores têm relatado, desde quinta-feira, dificuldade para entrar em contato com o SAC oferecido pela Ypê para o recall. Os técnicos da Vigilância Sanitária afirmam que o consumidor não deve jogar o produto fora no lixo, na pila, no ralo nem no vaso sanitário. Mas, para devolver, é preciso ter nota fiscal?
Produtos Ypê recolhidos: aprenda a identificar os lotes
Veja abaixo as orientações do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP) e da advogada especialista em direito do consumidor Dayene Lopes para esclarecer os principais pontos.
Consumidor sem nota fiscal pode pedir troca ou reembolso?
Sim. Segundo o Idec e a especialista, a ausência da nota fiscal não elimina automaticamente os direitos do consumidor. “Apesar de recomendarmos que o consumidor mantenha a nota fiscal como forma de comprovação da aquisição do produto, consideramos que é possível a demonstração da compra por outros meios”, informou o Idec.
SAC Ypê: veja como entrar em contato com a marca
Para Dayene Lopes, “a ausência de nota fiscal não afasta, por si só, os direitos do consumidor, especialmente em situações que envolvem risco sanitário e recall de produtos”.
Quais documentos podem comprovar a compra?
Extrato bancário, comprovante de PIX, fatura de cartão de crédito, CPF vinculado à compra, aplicativos de supermercado, voucher de alimentação e programas de fidelidade podem ser usados como prova segundo o Idec.
“O importante é conseguir identificar que o produto adquirido faz parte do lote identificado como contaminado e conseguir demonstrar de algum modo a aquisição do produto”, afirmou a entidade.
E se eu não tiver nenhum comprovante?
Mesmo nesses casos, o Idec entende que o consumidor pode ter direito ao recall. “O Idec defende que se o consumidor conseguir demonstrar a existência do produto deveria ser garantido a ele recall até por restar evidente o risco de contaminação, sendo uma questão de saúde pública”, afirmou a entidade.
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O supermercado pode negar atendimento por falta de comprovante?
O Idec lembra ainda que o Código de Defesa do Consumidor prevê dever de atuação dos fornecedores em casos de produtos com risco à saúde. Segundo a avogada Dayene Lopes, não deveria haver negativa automática em situações envolvendo risco sanitário:
— Em casos de recolhimento ou risco à saúde pública, prevalecem os princípios da boa-fé, vulnerabilidade do consumidor e proteção à saúde — afirmou a especialista.
Fabricante e supermercado podem ser responsabilizados juntos?
Sim. O Código de Defesa do Consumidor prevê responsabilidade solidária entre fabricante, distribuidor e comerciante.
— O consumidor não é obrigado a descobrir previamente de quem foi a falha específica para buscar solução — explicou Dayene Lopes.
O que o consumidor deve fazer se tiver um produto afetado em casa?
A orientação é interromper imediatamente o uso do produto, guardar a embalagem e entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da fabricante.
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O Idec recomenda ainda registrar protocolos, tirar fotos do produto e conservar qualquer comprovante relacionado à compra. Caso o problema não seja resolvido, o consumidor pode procurar o Procon, a Vigilância Sanitária ou a Justiça.
Há possibilidade de reembolso?
A Ypê, que aposta numa reversão da decisão da Anvisa, será a responsável por definir qual será a medida a ser tomada pelo cliente para reaver o dinheiro gasto nos produtos.
Como devo descartar os produtos?
A maneira correta é entrar em contato com o serviço de atendimento ao consumidor (SAC) da empresa e perguntar. A companhia tem obrigação de fazê-lo e deve comunicar se prefere recolhimento em domicílio ou em algum centro logístico.
O SAC da Ypê, porém, não deu conta da demanda de atendimento no primeiro dia, e pode ser necessária alguma paciência. O SAC deve informar também como fazer para obter troca ou reembolso.
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De acordo com relatos nas redes sociais, diversos internautas têm registrado dificuldade na comunicação com a empresa.
Quais os produtos da Ypê estão contaminados?
Os produtos que foram comprometidos são de uma lista específica de três categorias e suas variantes: sabão para lavar roupa (líquido e em pó), detergente e desinfetante.
Os produtos afetados são de apenas um lote específico, que finaliza com o número 1 (leia mais no próximo ponto). Os produtos atingidos podem ser conferidos nesta página. Fazem parte da lista a linha de lava louças (detergente) Ypê, os lava roupas líquido Tixan Ypê, os lava roupas líquido Ypê, além dos sabões em pó Tixan e dos desinfetantes Ypê Bak, Atol e Pinho Ypê.
Como identificar o lote dos produtos contaminados?
Os produtos afetados foram produzidos pela Química Amparo, na cidade de Amparo, e possuem, no número de série do lote, o final 1. Logo, nem todos os produtos da marca foram afetados.
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Você deve buscar este número na embalagem. Ele está próximo à data de fabricação e vencimento. O lote é um número de série que se inicia com a letra L e possui uma sequência de algarismos. Se essa sequência terminar em 1, seu produto não deve ser utilizado.
Em alguns produtos, como no detergente Ypê Clear Care, este número está abaixo do rótulo, de forma bem tácita. Na linha tradicional do detergente Ypê, este número já está na parte superior da embalagem, próximo à tampa do produto.
Tenho produtos do lote comprometido. Devo jogar tudo fora?
Não. O Centro de Vigilância Sanitária alerta para a importância de que não se descarte o produto no lixo, na pia, no ralo nem na privada. A recomendação é que se mantenha o produto armazenado fora do alcance de crianças e animais até que a empresa diga como vai proceder com o recolhimento.
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Qual é o risco de usar os produtos?
A vigilância sanitária constatou a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras dos produtos em questão. Esse micro-organismo não é altamente agressivo, mas pode afetar pessoas com problemas de baixa imunidade. É uma bactéria muito comum em casos de infecção hospitalar, afetando sobretudo o pulmão, particularmente em pacientes com fibrose cística. A presença da Pseudomonas nas amostras, além disso, eleva o risco de que algum outro patógeno esteja presente nos produtos.
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Lavei roupa com o sabão comprometido e usei o detergente comprometido em minha louça. Preciso lavar de novo?
Sim. Para qualquer efeito, deve-se considerar que objetos lavados com os produtos comprometidos continuam sujos. É preciso lavá-los de novo com outro produto, de outro lote ou de outra marca.
Não posso usar o detergente ou desinfetante do lote comprometido nem para lavar o chão?
Não é recomendável. Se há risco de contaminação, ela pode ocorrer pelo chão também, sobretudo quando há crianças pequenas ou animais em casa.
Lavei a louça com esponja. Preciso descartar a esponja?
Sim. Não é recomendável tentar lavar a esponja, porque é muito difícil remover bactérias de objetos porosos que absorvem líquido facilmente. O descarte é a medida mais correta.
Vesti roupas que tinham sido lavadas com o sabão comprometido. O que faço agora?
Nesse caso, fique atento para o surgimento de sintomas de infecção bacteriana, como febre, dificuldade para respirar ou problemas intestinais. Caso apareçam, busque atendimento médico e relate o contato com o produto.
Comi usando talheres e louça que tinham sido lavados com o detergente comprometido. O que faço agora?
Se você guardou comida nesta louça, evite consumi-la. Caso já tenha consumido, fique atento para o surgimento de sintomas de infecção bacteriana, como febre, dificuldade para respirar ou problemas intestinais. Caso apareçam, busque atendimento médico e relate o contato com o produto.
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