Prodígio e multiesportista, jovem de 14 anos quebra recorde na etapa brasileira do circuito Mundial de Bodyboard
Considerado um prodígio do esporte, Isaac Maraga, de apenas 14 anos, foi convidado pela organização do Itacoatiara Pro, de Niterói, e será o atleta mais jovem a participar de uma etapa do Circuito Mundial de Bodyboard (IBC), que começa neste sábado — e com certeza não estará sozinho. Rodeado pelos amigos em qualquer ocasião, inclusive durante as entrevistas, ele não quer pular etapas e deixar a infância de lado em troca do sucesso esportivo. A alegria e diversão na prática de esportes guiam a rotina diária, recheada de muitas horas de treinamento e, claro, de estudo.
O jovem ainda está no 9º ano do ensino fundamental e, na semana anterior ao maior torneio já disputado na carreira, disse que nem pensa nas ondas, mas nas provas da próxima semana.
— Me esforço para revisar os conteúdos dados em sala de aula sempre no mesmo dia, para fixar — contou Isaac. O jovem estuda do início da manhã até às 15h30 e depois divide o dia-a-dia com treinos de basquete e muita prática na praia de Itacoatiara, local onde foi criado e é conhecido por praticamente todo mundo.
Antes de entrar no assunto mais amado — competições — em conversa com O GLOBO, ele revelou ter consciência do desafio que enfrenta ao dividir a rotina entre os esportes de alta performance e a formação acadêmica.
Isaac, amigos e o pai Giovani na inscrição da etapa Mundial do IBC
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— É um grande um desafio. Dou o meu melhor e acredito que, até aqui, tudo tem dado certo — disse o jovem, que tem as disciplinas de História, Geografia, Química e Biologia como as preferidas no colégio.
O pai, Giovani Maraga, de 59 anos, que entre 1993 e 2003 foi atleta e bolsista da Uinversidade Mercy, em Nova York, reconheceu que o filho faz o que pode.
— Ele lida com tudo isso com muita responsabilidade. Eu e a mãe dele, apesar de separados, nos preocupamos muito com isso também — comentou o pai orgulhoso.
Isaac e o pai Giovani num dos treinos de tênis, quando Isaac tinha apenas 10 anos
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Basquete e rotina de treinos
Além do bodyboard e dos estudos, Isaac ainda se dedica a outros esportes. No basquete, o jovem faz parte da equipe do Clube Português de Niterói, o Niterói Basquete Clube (NBC). Ele frequenta os treinos em quadra ao menos três vezes por semana e o esporte tem rendido bons frutos, mesmo sendo o mais recente a ser introduzido na rotina — ele entrou na equipe do NBC apenas no ano passado e já fez parte da campanha que levou o Niterói Basquete Clube ao 4º lugar no estadual de basquete.
Isaac (centro) com os amigos da equipe do Niterói Basquete Clube, do Clube Português
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A paixão recente parece bater mais forte no coração de Isaac, que tem mais de um metro e oitenta e muita técnica no basquete. O jovem precisa definir em breve que esporte vai seguir carreira para participar de campeonatos nacionais e, mesmo com o convite para a etapa brasileira do Mundial de Bodyboard, disse que, neste momento, prefere a quadra ao mar.
— Eu gosto de competições. Todas. Gosto daquela sensação das pessoas torcendo por mim. Amo nadar e estar na água, mas hoje o basquete tem sido mais prazeroso pra mim e, se tivesse que escolher um esporte pra seguir agora, seria o basquete — revelou Isaac.
Cria de Itacoatiara
Além dos treinos em quadra e sobre a prancha de bodyboard, Isaac nada todos os dias. De acordo com o pai, ele nada de três a quatro quilômetros por dia. O jovem treina na piscina do condomínio em Icaraí e, sempre que tem a oportunidade, também está na praia de Itacoatiara.
— Já passei até seis horas dentro da água. No fim, parecem apenas trinta minutos. A melhor parte é estar com os meus amigos ali. É uma das coisas que mais gosto de fazer — comentou o animado Isaac.
A história do poliesportisva com o surfe e a prática de bodyboarding começou cedo — cedo mesmo. Aos 6 anos, ele já jogava tênis e nadava. O surfe e o bodyboarding vieram naturalmente.
Isaac (dir.) aos 6 anos na praia de Itacoatiara, iniciando à prática de bodyboarding
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— Uma coisa que me preocupo muito enquanto pai é a segurança dele. Meu filho não pode entrar numa praia de ondas fortíssimas, como a praia de Itacoatiara, conhecida por ter as ondas mais fortes do país, e não conseguir sair de lá. Então todo o treinamento dele é focado nesse preparo físico para manter a segurança dele na água — comentou Giovani.
O preparo e os treinos trouxeram resultados. Nos últimos dois anos, Isaac foi o vencedor geral das categorias sub-18 e sub -14 do SGA Niterói Bodyboard, campeonato de bodyboard da cidade. Neste ano, ele disputa apenas a categoria sub-18.
— Não deixaram ele competir na categoria sub-14 porque ele é bom demais — brincou o pai.
Isaac e o pai Giovani com os títulos das categorias sub-14 e sub-18 dos torneios SGA de Niterói
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Neste sábado, Isaac participa como convidado da etapa brasileira do Circuito Mundial de Bodyboard. O convite veio do Itacoatiara Pro, que organiza a competição no Brasil.
— Ele conhece todo mundo em Itacoatiara. O Dudu Pedra, veterano do bodyboarding e multicampeão, deu aula pra ele desde criança. O Guilliano Lara, morador da região e organizador do Itacoatiara Pro, também conhece e respeita muito o Isaac e, por isso, chamou ele pro torneio — disse o pai Giovani.
Confiante, Isaac falou que vai entrar na água para chegar o mais longe possível na competição.
— A expectativa é ir passando as baterias e chegar na final. Quem sabe eu ganho? — concluiu Isaac rindo.
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A competição
A etapa brasileira do Circuito Mundial de Bodyboard faz parte do Itacoatiara Pro, evento que conta com o apoio da Prefeitura de Niterói. A competição começa oficialmente neste sábado, e vai até o dia 31 deste mês. Isaac fará parte da quarta bateria no primeiro dia, na rodada de eliminação, ao lado do chileno Cristóbal Tobar, e Simone Macera, da Itália.
Além da participação de Maraga, a etapa também contará com a presença de atletas campeões mundiais, como o australiano Chris Anderson e o brasileiro Duda Pedra, professor de Isaac e veterano da modalidade.
Segundo a Prefeitura de Niterói, a expectativa é de que o evento mobilize cerca de 50 mil pessoas e gere um impacto econômico aproximado de R$ 50 milhões na economia da cidade.
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