Prisão de Vorcaro: esquerda associa escândalo à Campos Neto no BC, e direita aposta em críticas do banqueiro a Bolsonaro
Na esteira do escândalo do Banco Master, a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro na quarta-feira abriu uma nova frente de batalha digital entre governistas e a oposição. Enquanto a esquerda busca associar o esquema corrupto à gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central, a direita compartilha reportagens que mostram críticas de Vorcaro ao ex-presidente em mensagens de texto.
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Os desdobramentos no caso Master derivam da terceira fase da Operação Compliance Zero. Além da prisão de Vorcaro, a ação também culminou no afastamento do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e de Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup).
Como mostrou o GLOBO, o Palácio do Planalto está disposto a tentar vincular o caso Master ao ex-presidente e seus aliados. Campos Neto foi indicado para a presidência do Banco Central pelo governo Bolsonaro em 2019, permanecendo no cargo até janeiro de 2025.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), disse que a operação “expôs definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto”, ao citar que Souza e Santana “recebiam dinheiro de Vorcaro para impedir a fiscalização” do banco. A petista também destaca que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) viajou em um avião do banqueiro durante a campanha de 2022, como revelado pela colunista do GLOBO Malu Gaspar.
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“Essa ‘Turma’ dos amigos de Nikolas espionava autoridades, invadia bancos de dados do Ministério Público e da Polícia Federal, organizava ataques a desafetos de Vorcaro e até contra jornalistas. E a Turma da extrema-direita, de Bolsonaro e Nikolas, ainda quer jogar esse escândalo no colo dos outros”, escreveu Gleisi.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) questionou nas redes sociais “o que falta para a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República investigarem também o papel de Roberto Campos Neto na fraude do Banco Master”. O parlamentar também destaca a investigação conta Souza e Santana para atrelar as fraudes à gestão de Campos Neto à frente do Banco Central.
Já a direita optou por repercutir reportagens jornalísticas que mostram mensagens encontradas no celular de Vorcaro nas quais o banqueiro chama Bolsonaro de “beócio” e “idiota”. Na ocasião, Vorcaro reclamava de uma postagem feita pelo ex-presidente sobre suspeitas de fraude no Master. Entre as contas de bolsonaristas que adotaram a estratégia esão a de Nikolas e o perfil “Te Atualizei”.
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Troca de mensagens
O GLOBO teve acesso às trocas de mensagens entre o ex-banqueiro e a sua então namorada, Martha Graeff. Em julho de 2024, Vorcaro diz a Martha que recebeu mais de mil mensagens no Instagram depois de o ex-presidente postar uma reportagem da coluna Malu Gaspar sobre gerentes da Caixa Asset que haviam barrado um negócio arriscado de R$ 500 milhões com o Master e perdido o emprego.
"Os senhores não leram errado. Impediram de acontecer e foram DEMITIDOS. Não é mais questão de todo dia, mas sim a cada hora. Por isso o sistema está agindo com tanto afinco em suas ações", escreveu Bolsonaro, na ocasião.
Na conversa com a então namorada, Vorcaro critica Bolsonaro e sugere que o ex-presidente fez a postagem com intuito de criticar o PT.
"O pior de ontem foi ter o Bolsonaro postado", escreveu o ex-banqueiro. "Postou aonde?", pergunta Martha. "No tweeter dele (sic). Idiota", responde ele. "Wow não acredito", diz ela.
Na sequência, Vorcaro indica que "todos os amigos", incluindo Ciro, numa referência ao ex-ministro do governo Bolsonaro e atual senador Ciro Nogueira (PP-PI), fizeram contato com o ex-presidente para tentar remediar a situação.
"Mas nao tinha como tirar. Cara é um beocio. Alguem falou que era coisa PT [e] ele postou", afirma Vorcaro.
O termo "beócio" remonta à pessoa natural da Beócia, região da antiga Grécia ao Norte e Noroeste da Ática. Os habitantes da região eram considerados iletrados por vizinhos, num preconceito regional que fez o gentílico passar a ser usado para caracterizar alguém ignorante, que não possui conhecimentos suficientes em determinado segmento.
