Prisão de Andrew: por que ele já não é príncipe e pode perder lugar na sucessão em meio ao caso Epstein
A prisão de Andrew Mountbatten-Windsor nesta quinta-feira (19) reacendeu não apenas o escândalo envolvendo o financista americano Jeffrey Epstein, mas também o debate sobre seu status dentro da monarquia britânica. Desde outubro de 2025, ele deixou de ser oficialmente tratado como príncipe e perdeu o uso do título de “Sua Alteza Real”, por decisão do rei Charles III.
Príncipe Andrew: ligação com abusos de Epstein podem remover duque da linha de sucessão
Terceiro filho da rainha Elizabeth II e do príncipe Prince Philip, Andrew foi por décadas uma figura central da família real. A ruptura institucional ocorreu após o agravamento das repercussões de sua ligação com Epstein, condenado por crimes sexuais nos Estados Unidos. O Palácio de Buckingham anunciou a retirada formal do título de “príncipe” e iniciou o processo de revogação de honrarias e distinções, incluindo o ducado de York e condecorações históricas.
Sem funções públicas e afastado da vida oficial desde 2019, Andrew passou a ser identificado apenas como Andrew Mountbatten-Windsor. A decisão foi interpretada por analistas como uma tentativa de blindar a Coroa de novos desgastes.
Por que ele pode deixar a linha de sucessão
Apesar da perda de títulos e do tratamento real, Andrew ainda ocupa formalmente a oitava posição na linha de sucessão ao trono. A permanência decorre de regras estabelecidas por lei, e não de prerrogativa direta do soberano.
Especialistas em direito constitucional britânico observam que a exclusão da sucessão exigiria uma medida legislativa aprovada pelo Parlamento do Reino Unido. O tema voltou ao centro do debate após a divulgação de cerca de três milhões de documentos relacionados ao caso Epstein, agora sob análise de autoridades britânicas, e diante da prisão anunciada nesta quinta-feira.
A deputada trabalhista Rachael Maskell defendeu publicamente a retirada de Andrew da linha sucessória e cobrou maior transparência sobre sua atuação passada como enviado comercial do Reino Unido. Até o momento, contudo, não houve anúncio oficial de qualquer mudança em seu status sucessório.
A crise reforça um dilema institucional: embora a monarquia opere sob tradição e simbolismo, sua estrutura é regulada por normas legais específicas. A eventual exclusão de Andrew dependerá menos da vontade do rei e mais de um consenso político no Parlamento — cenário que, após a prisão, tende a ganhar novo fôlego.
