Príncipe iraniano exilado afirma que regime está 'desmoronando' após ataques que mataram Khamenei
Uma semana após uma série de ataques militares que abalaram a liderança iraniana, figuras da oposição voltaram a falar abertamente sobre a possibilidade de mudanças profundas no país. Entre elas está o príncipe herdeiro iraniano exilado, que afirma que o atual sistema político enfrenta um momento decisivo.
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Segundo reportagem da Fox News, o príncipe herdeiro exilado do Irã, Reza Pahlavi, afirmou em entrevista ao programa “My View”, apresentado por Lara Trump, que a República Islâmica está "desmoronando" após recentes operações militares conduzidas pelos Estados Unidos e por Israel.
As operações, iniciadas no fim de semana anterior, resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, além de cerca de 50 autoridades ligadas ao regime. Para Pahlavi, os acontecimentos criaram um momento decisivo para uma possível mudança política no país.
Durante a entrevista, ele afirmou: "A situação no terreno é que as pessoas obviamente estavam esperando uma oportunidade para voltar às ruas e retomar o controle do país. Vemos cada vez mais elementos do regime ruindo. Muitas pessoas em casa estão prontas para assumir o poder, e isso é exatamente o que será necessário para uma transição bem-sucedida e estável".
Manifestantes exibem foto de Reza Pahlavi durante ato de apoio a protestos no Irã, realizado em 11 de janeiro de 2026 em Londres
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Após a morte de Khamenei, o opositor também afirmou que os iranianos não aceitariam qualquer solução política ligada ao sistema atual. "Somente uma ruptura total garantirá não apenas que alcancemos uma solução democrática e uma alternativa a este regime, mas também que haja pessoas que não estejam de forma alguma diretamente associadas a ele", declarou.
Filho do último monarca iraniano, Mohammad Reza Pahlavi, deposto na Revolução Islâmica de 1979, Reza Pahlavi defende uma transição do atual regime teocrático para um sistema democrático. Segundo ele, essa mudança poderia ocorrer com apoio de diferentes grupos políticos e também de integrantes das forças armadas iranianas.
Sobre o futuro político do país, o príncipe afirmou que a decisão deve caber exclusivamente à população. "A transição envolve deixar essa escolha para o povo iraniano, e somente as urnas devem determinar o resultado e quem será, no futuro, responsável pelo nosso país", disse.
Ele também comentou o papel da comunidade internacional no processo, citando o governo dos Estados Unidos. "Acredito que o que esperamos de qualquer governo, incluindo, é claro, o atual governo Trump, é que reconheça que a melhor maneira de ajudar o povo iraniano é permitir que ele faça essa escolha livremente e apoiar essa escolha como uma democracia ocidental, como a principal democracia do mundo."
Filho do último monarca iraniano, Mohammad Reza Pahlavi, deposto na Revolução Islâmica de 1979, Reza Pahlavi defende uma transição do atual regime teocrático para um sistema democrático
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Questionado sobre a possibilidade de outros modelos de governo, Pahlavi afirmou que a população não aceitaria algo diferente de um sistema democrático. "Não vejo nenhuma fórmula fora da democracia que seja duradoura, sustentável ou aceitável. A única maneira de as pessoas aceitarem o resultado é garantir que elas estejam no controle do próprio destino", afirmou. Ele acrescentou: "E não acho que haja outra maneira além de um sistema democrático que possa garantir isso. Essa é a receita para a estabilidade, o progresso a longo prazo e a garantia de proteção de todos os direitos dos cidadãos."
O líder da oposição também argumentou que um Irã democrático poderia trazer maior estabilidade para o Oriente Médio e abrir oportunidades econômicas para parceiros internacionais, incluindo os Estados Unidos.
Segundo ele, o mercado iraniano esteve fechado por décadas e poderia gerar receitas significativas em um cenário de mudança política. Pahlavi afirmou que a economia americana poderia arrecadar mais de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,24 trilhões), na primeira década após uma eventual transição de poder no país.
Para o opositor, um novo governo também poderia mudar a postura do Irã na região. "Como uma democracia, os iranianos se comprometerão a estabelecer relações cordiais com nossos vizinhos, trazer paz à região e estabilidade, o que, em última análise, é propício ao desenvolvimento e à prosperidade, algo que será bom para nós e também para nossos parceiros", disse.
Ele acrescentou: "Acredito que os Estados Unidos têm muito a ganhar com isso. E não se esqueçam de que, depois que a situação se estabilizar e alcançarmos esse futuro, o Irã estará aberto a oportunidades econômicas."
Reza Pahlavi vive no exílio desde a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou a monarquia iraniana e instaurou a República Islâmica. Nos últimos anos, ele tem buscado se apresentar como uma figura capaz de unir diferentes setores da oposição iraniana.
