Príncipe Harry perde batalha legal contra imprensa no Reino Unido
Cerca de oito anos depois de abrir uma disputa na Justiça contra tabloides britânicos, tendo chegando a vencer um número de batalhas legais contra grandes organizações da mídia, ao fim o Príncipe Harry perdeu a guerra.
A considerar o próprio critério de Harry — de responsabilizar os profissionais em posições sêniores pelo que julga ter sido uma influência maligna sobre o jornalismo —, o filho mais novo do Rei Charles III falhou no objetivo almejado.
Entre os profissionais estavam Paul Dacre, editor há longo tempo do Daily Mail, e Piers Morgan, ex-editor do Daily Mirror que, depois, em outros papéis na mídia, continuou a criticar com frequência Harry e a esposa, Meghan Markle.
Rebekah Brooks, antiga editora do tabloide The Sun e então chefe das operações britânicas do império de mídia de Rupert Murdoch, é outro desafeto de longa data, descrita de forma nada elogiosa no livro de memórias de Harry.
Ainda assim, nenhum deles foi culpabilizado pela Justiça da forma como o príncipe esperava, e nenhuma nova investigação criminal policial foi iniciada, diferentemente do que Harry demandava.
Embora ele tenha conseguido extrair uma admissão de culpa do News Group Newspapers, de que o tabloide The Sun esteve envolvido em iniciativas ilegais, nenhum jornalista foi incriminado
A derrota desta terça-feira contra a Associated Newspapers, publisher do Daily Mail, será difícil de engolir.
No julgamento, foram rejeitadas todas as 97 alegações feitas contra o jornal por Harry, Elton John e outras cinco celebridades de elevado perfil.
A desconfiança de Harry em relação a boa parte da mídia vem de longa data.
Ele nunca guardou segredo de que culpa a imprensa pela morte da mãe, a Princesa Diana, em um acidente de carro em 1997, em Paris.
Na ocasião, Diana tentava escapar da perseguição de fotógrafos.
Harry tinha apenas 12 anos.
Desde então, ele se queixa do que diz ser a incessante intrusão de jornais na sua vida privada, o que teria destruído amizades e a relação com uma antiga namorada.
Mas foram os "viciosos e persistentes ataques" contra a sua mulher, Meghan Markle, que foram a gota final, resultando em uma série de processos legais contra relatos que ele considerou misóginos ou racistas.
"O pior de tudo é que, ao sentar aqui e tomar uma posição contra eles, continuam a vir atrás de mim, como fizeram ao longo do processo legal.
Eles transformaram a minha vida em uma desgraça absoluta”, disse Harry na Alta Corte, segurando as lágrimas.
Ele disse também que foi um dever público levar adiante as ações na Justiça não apenas como um membro da família real, mas também como um militar britânico ativo por uma década.
O príncipe Harry
Andrew Matthews/AP
