Príncipe Andrew: ligação com abusos de Epstein podem remover duque da linha de sucessão; entenda
O nome de Andrew Mountbatten-Windsor voltou a ganhar destaque após a divulgação de uma nova leva de cerca de três milhões de documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein. O material está a ser analisado por diversas forças policiais no Reino Unido.
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Apesar de já ter sido afastado da vida pública e ter perdido seus títulos militares e patronatos por decisão do seu irmão, o rei Charles III, Andrew continua formalmente na linha de sucessão ao trono britânico, ocupando atualmente a oitava posição.
Entre os dados analisados pelas autoridades estariam registros de voos do jato privado associado a Epstein — conhecido como “Lolita Express” — incluindo dezenas de aterrissagens no terminal privado de Stansted.
Declarações públicas recentes apontam que os arquivos mencionariam ligações entre Andrew e pessoas transportadas nesses voos. O ex-príncipe sempre negou qualquer irregularidade ou envolvimento ilícito.
A deputada trabalhista Rachael Maskell defendeu que Andrew seja removido da linha de sucessão e pediu maior transparência sobre o período em que ele atuou como enviado comercial do Reino Unido. O tema reacende o debate sobre os limites institucionais da monarquia diante de escândalos envolvendo membros da família real.
Até o momento, não houve anúncio oficial de mudança no status sucessório do príncipe.
O que pesa contra ele?
Andrew Mountbatten-Windsor, 65 anos, é o terceiro filho da rainha Elizabeth II e do príncipe Philip, e irmão do rei Charles III. Durante décadas, foi uma das figuras centrais da monarquia britânica, exercendo funções oficiais e atuando como representante comercial do Reino Unido no exterior.
Mas sua trajetória mudou radicalmente após a exposição de suas ligações com o financista condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein.
Em outubro de 2025, o Palácio de Buckingham anunciou que Charles III retirou formalmente do irmão o título de “príncipe” e iniciou o processo para revogar seus demais títulos e honrarias. Andrew passou a ser oficialmente chamado de Andrew Mountbatten Windsor, sem tratamento de “Sua Alteza Real”.
Entre os títulos e distinções retirados ou em processo de revogação estão:
• Duque de York
• Conde de Inverness
• Barão Killyleagh
• A Order of the Garter, a mais alta ordem de cavalaria britânica
• A Royal Victorian Order
Além disso, ele foi obrigado a deixar a Royal Lodge, residência em Windsor, sendo transferido para uma propriedade na área de Sandringham, com apoio financeiro privado do rei.
O centro da controvérsia está na relação com Epstein. Andrew sempre negou irregularidades e afirma não ter tido conhecimento dos crimes cometidos pelo financista. No entanto, o caso ganhou repercussão global após a divulgação de uma fotografia tirada em Londres, em 2001, na qual aparece com o braço em torno de Virginia Giuffre, então com 17 anos.
Giuffre alegou que foi abusada sexualmente pelo príncipe em três ocasiões. Em 2022, Andrew fechou um acordo judicial nos Estados Unidos para encerrar o processo — sem admissão de culpa. O caso voltou aos holofotes após o lançamento do livro póstumo de Giuffre e com a divulgação de novos documentos ligados ao escândalo Epstein.
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Internamente, a família real classificou a conduta de Andrew como marcada por “graves erros de julgamento”. A linguagem usada no comunicado oficial do Palácio foi descrita por analistas como “dura” e calculada para responder à forte rejeição pública.
Embora afastado da vida pública desde 2019, Andrew continuava sendo um problema político e simbólico para a Coroa. Historiadores e especialistas ouvidos pela imprensa britânica afirmam que a decisão de Charles III representa uma tentativa de proteger a instituição e evitar que novos desdobramentos do caso Epstein contaminem ainda mais a imagem da monarquia.
