Primeiro papa americano, Leão XIV critica 'entusiasmo mundial pela guerra' e 'diplomacia da força'
O Papa Leão XIV condenou o uso da força militar como meio de alcançar objetivos diplomáticos nesta sexta-feira (9), durante um discurso de cerca de 40 minutos no Vaticano definido pela Reuters como "inflamado", no qual também pediu a proteção dos direitos humanos na Venezuela.
"A guerra voltou à moda e o entusiasmo pela guerra está se espalhando", disse o papa Leão em um tradicional discurso feito por papas sobre o "estado do mundo". Foi o primeiro desse tipo proferido por Leão, que eleito após a morte do papa Francisco.
O primeiro papa americano da história afirmou que a fragilidade das organizações internacionais diante dos conflitos globais era "um motivo de particular preocupação" a cerca de 184 embaixadores credenciados junto ao Vaticano.
"Uma diplomacia que promove o diálogo e busca o consenso entre todas as partes está sendo substituída por uma diplomacia baseada na força", disse o papa.
Em referência à captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelas forças americanas no sábado (3) após ataque do presidente Donald Trump ao país latinoamericano, o papa pediu que os governos do mundo "respeitem a vontade" do povo venezuelano daqui para frente, acrescentando que as nações devem "salvaguardar os direitos humanos e civis" dos venezuelanos.
Embaixadores dos Estados Unidos e da Venezuela junto à Santa Sé estavam entre os presentes no evento. Apesar de Leão já ter criticado políticas de Trump anteriormente, como as relacionadas à imigração, não mencionou o presidente americano nominalmente em seu discurso de hoje.
A Venezuela não foi o único assunto abordado pelo pontífice. Em tom incisivo, além de condenar firmemente os conflitos em curso no mundo, o papa Leão também criticou duramente as práticas de aborto, eutanásia e gestação por barriga de aluguel.
O papa ainda afirmou que a liberdade de expressão está "diminuindo rapidamente" nos países ocidentais, defendendo que está se desenvolvendo uma "nova linguagem ao estilo orwelliano que, na tentativa de ser cada vez mais inclusiva, acaba excluindo aqueles que não se conformam às ideologias que a alimentam".
