Primeiro museu a céu aberto do sudeste paraense é inaugurado em Parauapebas

Primeiro museu a céu aberto do sudeste paraense é inaugurado em Parauapebas

 

Fonte: Bandeira



A cidade de Parauapebas recebeu, nesta quinta-feira, 21, um novo marco para a cultura urbana e para as artes visuais da região. A Sapo de Vidro Produções, por meio do projeto Festival NaRua, realizou a entrega oficial de quatro obras de arte que passaram a compor permanentemente o pátio da Câmara Municipal de Parauapebas, inaugurando o primeiro museu a céu aberto da cidade e do sudeste paraense.


O Museu NaRua nasceu com a proposta de conectar cidade, comunidade e expressão artística por meio de obras de artistas locais selecionados por edital. Entre os expositores estiveram Robson Lima, Ana Carolina Reis, Vanessa Soares e Lucas Rodrigues Couto, artistas que transitaram por linguagens como graffiti, pintura, escultura, tatuagem, cenografia, arte digital e arte-educação, fortalecendo a cena cultural amazônica contemporânea.


Patrocinado pela Vale, por meio da Lei Rouanet, o Festival NaRua foi realizado nas cidades de Canaã dos Carajás e Parauapebas, reunindo sete expressões artísticas periféricas, entre elas grafite, break dance, batalhas de hip-hop e outras manifestações da cultura urbana. Ao longo de sua realização, o festival reuniu mais de 20 mil pessoas nas duas cidades e gerou mais de 600 empregos diretos e indiretos.


Para Mariana Farnesi, organizadora do Festival NaRua, a criação do museu representou um importante legado cultural para a cidade e para os artistas locais.


“A importância da entrega de um equipamento cultural para ocupação por artistas locais é imensurável. E a construção coletiva de produtores, artistas, poder público e empresa privada cria base sólida para que mais projetos assim possam acontecer”, afirmou Mariana.


A entrega do museu a céu aberto marcou a etapa final do Festival NaRua e consolidou uma parceria inédita com a Câmara Municipal de Parauapebas, por meio do Instituto Legislativo, responsável pela cessão do espaço para a exposição permanente das obras.


Além da inauguração do museu a céu aberto, também foi aberta ao público, no hall da galeria da Câmara Municipal, a exposição “Live Painting NaRua”, composta por oito obras produzidas em live painting durante a realização do festival, em outubro de 2025. A mostra apresentou trabalhos produzidos ao vivo durante o Festival NaRua, preservando a energia dos encontros entre artistas, público e cidade. A exposição ficou disponível para visitação durante três meses e, posteriormente, também passou a integrar o acervo técnico da instituição por meio de Termo de Doação.


Para o artista Lucas Couto, ter uma obra exposta permanentemente no primeiro museu a céu aberto de Parauapebas representou um significado que ultrapassou o reconhecimento artístico individual.


“Ter uma obra exposta permanentemente no primeiro museu a céu aberto de Parauapebas representa muito mais do que reconhecimento artístico; para mim, é um gesto de pertencimento e memória coletiva. A arte urbana tem essa potência de transformar o espaço cotidiano em lugar de encontro, reflexão e identidade. Ver uma obra ocupando permanentemente a cidade significa compreender que a arte deixa de estar restrita a galerias e passa a dialogar diretamente com quem vive, trabalha e atravessa aquele território todos os dias. Para mim, existe também um valor simbólico muito forte, que é o de contribuir para a construção de um patrimônio cultural vivo da cidade, especialmente em um território marcado por intensas transformações sociais e urbanas”, destacou Lucas Couto.


O artista também ressaltou a importância do Festival NaRua para o fortalecimento da cena cultural periférica e para a valorização da produção artística local.


“O Festival NaRua fortalece a cena porque atua como ponte ao fortalecer redes criativas e movimentar a cadeia cultural local. Ele democratiza o acesso à arte, forma público, cria intercâmbio entre artistas locais e de outras regiões, promove formação, circulação de conhecimento e, sobretudo, legitima a produção periférica como linguagem artística potente e contemporânea”, afirmou.


Mais do que uma entrega simbólica, o novo espaço cultural surgiu como um equipamento permanente de incentivo à arte urbana e à valorização de artistas locais. A proposta passou a ser a renovação contínua do espaço por meio de novos editais e chamamentos públicos, ampliando oportunidades para que novos talentos possam expor suas produções nas ruas da cidade e inspirar diferentes gerações de artistas em Parauapebas.