Primeiro-ministro de Portugal se cala enquanto polícia é violenta com manifestantes, incluindo brasileiros

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A Polícia de Segurança Pública (PSP) reprimiu com truculência manifestações pacíficas por uma vida melhor em Portugal que acontecem em Lisboa e no Porto, na última cidade por duas vezes. As estratégias de repressão deixaram detidos e feridos, incluindo brasileiros, como mostrou o Portugal Giro em relação ao primeiro conflito no Porto.

Em ação coordenada nas duas cidades no último domingo, a polícia retirou à força, com cacetetes e escudos, acampamentos pacíficos em praças centrais. As cenas despertaram declarações de repúdio.

Quem nada declarou até agora foi o primeiro-ministro Luís Montenegro. O chefe do Executivo, de centro-direita, que tem aprovado projetos com ajuda da ultradireita, "sumiu" há mais de duas semanas.

Montenegro se encastelou desde que deu declaração classificada desastrosa por conectar manifestações espontâneas dos jovens por habitação a razões "egoísticas". O primeiro-ministro não dá entrevistas ou faz pronunciamentos há mais de dez dias.

Deixou de ter agenda no dia 16, com exceção de uma visita escolar sem aviso aos jornalistas. Não foi ao Conselho de Ministros.

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, debaixo de desconfiança popular, sob investigação e prestes a enfrentar uma CPI, é quem virou espécie de porta-voz. Afirmou que os acampamentos haviam acabado e se recusou a admitir uso de força excessiva mesmo diante de imagens que mostram uso de cacetete contra os jovens.

Os manifestantes contam cerca de 30 feridos. A PSP fala em sete feridos e 31 detidos após a necessidade de "remover estruturas de acampamento instaladas sem autorização legal".

Após a repressão na madrugada de domingo, manifestantes voltaram à noite em maior número aos dois locais e tiveram apoio de mais pessoas de diversas idades, gêneros e nacionalidades. Hoje, quando o orçamento de Estado começa a ser debatido, prometem protesto em frente ao Parlamento em Lisboa e esperam ouvir algo de Montenegro.

Querem derrubar projeto do governo nocivo aos inquilinos. Há um apelo popular para o presidente António José Seguro, do Partido Socialista (centro-esquerda) intervir.

Ele convocou o Conselho de Estado para a próxima segunda-feira. Manifestantes fizeram protestos em frente ao prédio residencial de Seguro, que disse estar diante de situação "grave e complexa", mas sem dizer "algo em concreto".

O ministro da Defesa, Nuno Melo, relacionou os problemas e os protestos de quase duas semanas ao que chamou de descontrole da imigração. O integrante do governo também realçou o sotaque brasileiro dos manifestantes.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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