Primeira-ministra italiana classifica como 'inaceitáveis' as críticas de Trump ao Papa: 'Normal que ele condene as guerras'
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, classificou nesta segunda-feira como "inaceitáveis" as críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Papa Leão XIV. O primeiro Pontífice nascido nos EUA, que lidera os 1,4 bilhão de católicos do mundo, manifestou-se contra a guerra no Irã, iniciada por Washington e Israel, condenando a “violência absurda e desumana” desencadeada pelos combates.
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"Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump sobre o Santo Padre. O Papa é o chefe da Igreja católica e é justo e normal que ele peça a paz e condene todas as formas de guerra", afirmou Meloni, em comunicado.
Na madrugada desta segunda-feira, o presidente americano teceu críticas ao Pontífice em uma longa publicação no Truth Social.
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"Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante. Ele não estava em nenhuma lista para ser Papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano, e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump", escreveu. "Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano", acrescentou.
Horas antes, no domingo, Trump disse a repórteres que não é um "grande fã" do Papa Leão XIV.
— Não sou um grande fã do Papa Leão. Ele é uma pessoa muito liberal e não acredita em acabar com o crime — disse Trump na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, acusando o Pontífice de "brincar com um país que quer uma arma nuclear".
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Trump acusou o Papa de "brincar com um país que quer uma arma nuclear", em referência ao Irã. O país, porém, sempre negou que seu programa atômico tenha outro objetivo que não o uso civil.
Também nesta segunda, em resposta aos comentários do presidente americano, o Papa disse que não tem "nenhum medo da administração Trump, nem de falar abertamente a mensagem do Evangelho, que é o que acredito ser minha missão aqui".
A caminho da Argélia, o Papa foi perguntado diretamente sobre as críticas que recebeu de Trump na Truth Social, rede social criada por ele em 2022.
— É irônico, o próprio nome da plataforma. Não preciso dizer mais nada — afirmou, referenciando-se à plataforma, que pode ser traduzido como "rede social da verdade".
Leão XIV, apesar da troca de farpas, disse não ter intenção de engajar na disputa com Trump.
— Não quero entrar em um debate com ele — disse à agência Reuters ao cumprimentar jornalistas no avião.
