Primeira ligação telefônica faz 150 anos com linhas fixas caindo pela metade desde 2010

 

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Há exatos 150 anos era feita a primeira ligação telefônica da história. Um fio unia duas peças de madeira, que tinham um formato parecido com um microfone. Dentro delas, um dispositivo tinha o poder de converter as vibrações da fala em correntes elétricas.

'Senhor Watson, venha cá'. Essa foi a primeira frase dita pelo escocês Alexander Graham Bell quando ligou da própria em casa em Boston, nos Estados Unidos, para o assistente dele, Thomas Watson, que estava em outro cômodo da residência. Isso foi em 10 de março em 1876.

O Brasil se tornava pioneiro nessa jornada, quando Dom Pedro II instalou as primeiras linhas telefônicas da América Latina já no ano seguinte, em 1877. Roseli Cipriani é monitora há mais de 20 anos do Museu do Telefone de Bragança Paulista, no interior de São Paulo.

O primeiro acervo de telefonia do país hoje abriga uma réplica do aparelho que Graham Bell presentou o então imperador do Brasil:

Ao centro, telefone que D. Pedro II ganhou de Graham Bell

Roseli Cipriani/Museu do Telefone de Bragança Paulista

“O dia que o Graham Bell foi colocar a sua invenção numa exposição lá na Filadélfia, Dom Pedro II, por ser tão curioso, perguntou: ‘Mas isto fala?’ E eles conversam. Aí, todos que estavam lá se interessaram pela invenção do Graham Bell. Em agradecimento ao Dom Pedro II, o Graham Bell promete para ele enviar aqui no Brasil um aparelho. E veio mesmo.”

Ao longo de todo esse tempo, com o avanço da tecnologia, agora a nossa voz pode simplesmente fluir de um espaço para outro.

Os números da Anatel mostram que, em pouco mais de 15 anos, o número de assinantes que contrataram planos de telefonia móvel aumentou mais de 50%. Em janeiro deste ano, eram 270 milhões de usuários no país inteiro.

Enquanto isso, o telefone fixo - que era considerado um item de luxo no país - deixou de ser a principal forma de comunicação do Brasil há um certo tempo. Em 2010, eram 40 milhões de assinantes. Neste ano, esse número caiu pela metade.

Telefones no Museu do Telefone de Bragança Paulista

Roseli Cipriani/Museu do Telefone de Bragança Paulista

Agora, é substituído pela grandiosidade da internet, perdendo valor no mercado.

Essa, aliás, é um dos motivos que justifica o uso do telefone fixo ainda nos dias de hoje, como explica Octavio Pieranti, conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações:

“Muitas vezes a gente contrata o plano, por exemplo, de internet fixa e aí contrata junto um número de telefone, pagando um pouco a mais. A contratação simultânea dos dois serviços acaba compensando para muita gente. E existem pessoas em locais de difícil acesso, ou locais em que faltam o acesso mais consistente à internet, essas pessoas também mantém as suas linhas fixas.”

Frente a tantas mudanças que o telefone sofreu, ficam as testemunhas de uma época que foi superada pela tecnologia: as telefonistas. Profissionais que eram responsáveis por conectar manualmente as chamadas telefônicas.

Mesas de telefonistas

Roseli Cipriani/Museu do Telefone de Bragança Paulista

Luzia Souza, de 86 anos, trabalhou por 25 conectando pessoas por meio de pinos e cabos em painéis. Ela lembra que, para fazer uma ligação de uma cidade do interior para São Paulo naquela época, era necessário que uma telefonista ligasse para outra da cidade mais próxima até que a chamada chegasse ao destino. Esse processo todo poderia levar mais de seis horas.

“Então, tinha pessoa que tomava o ônibus, ia para São Paulo, resolvia o que tinha que fazer, voltava e a ligação dele não tinha saído ainda.”

Mas entre uma telefonista e outra, alguns comentários renderam boas histórias para a dona Luzia:

“Era uma telefonista de Atibaia. Daí ela segurava a linha dele e passava para Bragança. Daí ela falou o nome do usuário. Era “Profeta”. Eu falei: "Nossa, que nome esquisito, né?" O homem estava na linha, ela esqueceu de separar. Ele falou: "É esquisito, mas é honrado". (Risos). Nunca mais!”

O fim da profissão se deu, principalmente nos anos 1970 e 1980, com a chegada dos orelhões e com a implementação do DDD no país, que possibilitou a discagem direta.

Agora, os orelhões desaparecem das ruas com o fim das concessões de telefonia fixa do país. As tradicionais chamadas de voz perdem vez para as mensagens, abrindo espaço para uma nova fase da comunicação mundial: mais imediatista e silenciosa.