Primeira eutanásia legal no Uruguai é realizada em idosa com câncer terminal

Primeira eutanásia legal no Uruguai é realizada em idosa com câncer terminal

 

Fonte: Bandeira



O Uruguai realizou nesta sexta-feira (22) a primeira eutanásia desde a legalização da prática no país, aprovada pelo Parlamento em outubro de 2025 e regulamentada em abril deste ano pelo presidente Yamandú Orsi. A paciente, uma mulher de 69 anos diagnosticada com câncer de pâncreas em estágio terminal e metástases avançadas, passou pelo procedimento no Hospital da Polícia, em Montevidéu.

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Segundo informações dos telejornais Telenoche e Telemundo, a paciente sofria de câncer pancreático com metástases avançadas nos pulmões, rins e fígado. Ela havia interrompido exames e tratamentos nos últimos meses devido à progressão da doença e estava internada havia dez dias quando assinou o termo de consentimento para a chamada “morte digna”. A decisão de recorrer à eutanásia havia sido tomada ainda em janeiro, acompanhada por um de seus seis filhos.

O Parlamento uruguaio aprovou a lei da eutanásia em outubro do ano passado. Seis meses depois, a regulamentação foi assinada pelo presidente Yamandú Orsi, e o Ministério da Saúde Pública publicou, em abril, o protocolo que autorizou oficialmente a aplicação do procedimento. Pela legislação, a eutanásia é permitida para adultos mentalmente capazes que sofram de doenças incuráveis e irreversíveis, associadas a sofrimento considerado insuportável.

Interesse cresce após regulamentação

Organizações que defendem a eutanásia afirmam que a procura por informações aumentou desde a entrada em vigor da lei. A entidade Empatía Uruguay informou ter recebido consultas de estrangeiros interessados em se mudar para o país para ter acesso ao procedimento.

— Também recebemos consultas de pessoas que vivem em outros países e estão pensando em se mudar para o Uruguai. Ou de uruguaios que vivem no exterior e querem saber se têm esse direito — afirmou Florencia Salgueiro, integrante do grupo, ao canal Telemundo.

A legislação uruguaia prevê que cidadãos uruguaios, naturais ou legalizados, além de residentes no país, possam solicitar a eutanásia. O governo também determinou que hospitais e equipes médicas garantam o acesso ao procedimento mesmo em casos de objeção de consciência de profissionais de saúde.

O protocolo prevê a aplicação de medicamentos intravenosos para sedação profunda e interrupção das funções respiratórias e cardíacas. O paciente pode desistir do processo a qualquer momento, além de escolher onde deseja morrer e quem poderá acompanhá-lo durante o procedimento.