Pressionado por Flávio a se lançar em Minas, Nikolas descarta candidatura ao governo: \'Não penso só em eleição\'

 

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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) afirmou nesta sexta-feira que não será candidato a governador em Minas Gerais, após ser cotado para a disputa pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que concorrerá ao Planalto. Em entrevista ao podcast Café com Ferri, transmitida pelo YouTube, o parlamentar afirmou que "descartou" a possibilidade e que dará preferência à "construção de base e de relacionamentos".

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— Não vou ser candidato a governador. Descartei essa possibilidade. Qualquer pessoa que estivesse no meu lugar, pensando só em eleições, iria. Mas não estou pensando só em eleição. Para encarar isso, não basta só competência, tem que criar uma base de secretários, deputados estaduais, prefeitos, vereadores. Tem que ter o poder real, tenho que ter entrada no Judiciário, dentro da mídia, caso contrário só estou me colocando numa posição de alvo para me matarem antes da hora. Então estou trocando o presente pelo futuro — disse.

Na ocasião, também disse que uma eventual candidatura também seria "um prato cheio para a esquerda" e que preferia ir à reeleição para "construir base" e "criar relacionamentos". Durante a entrevista, Nikolas também respondeu a críticas feitas por integrantes da direita sobre seu engajamento em pautas caras ao bolsonarismo, como a campanha de Flávio à presidência. No ano passado, ele também chegou a ser cobrado por não demonstrar apoio à atuação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos pela aplicação a autoridades brasileiras.

— Já estou deixando algo bem claro: sou deputado federal por Minas, e Minas é minha prioridade. No primeiro turno, estarei em Minas, e ponto final. Nas eleições municipais, eu fui usado por muita gente que chega, me pressiona, apoia fulano de tal... e é muito difícil — afirmou. — Política é via de mão dupla, e vai ser dessa forma nessa eleição. Eu aprendi. Só vou fazer parte de um projeto se eu souber qual é o plano, a estratégia, o objetivo.

Alvo de interesse de Flávio para ter um palanque direto em Minas, a hipótese de uma candidatura de Nikolas desafiaria o vice-governador Mateus Simões (PSD), que busca ser eleito como sucessor do governador Romeu Zema (Novo) e tenta se colocar como o único nome competitivo da direita no estado.

Como parte da composição da chapa, Simões pretende deixar espaço para o PL para uma vaga ao Senado, em função de um acordo firmado entre ele e o ex-presidente Jair Bolsonaro no ano passado. Entre os cotados, estão o deputado federal Domingos Sávio (PL-MG), que preside o diretório estadual, e o pai de Nikolas, o pastor Edésio de Oliveira.

— O presidente Bolsonaro, na última reunião que teve comigo em Belo Horizonte, logo antes de ser preso, afirmou, publicamente, que queria uma vaga do Senado na minha chapa para o PL. Essa posição está aberta e à disposição do PL desde então. Os presidentes Valdemar, Domingos Sávio e José Santana sabem disso. O deputado Nikolas também. Acredito que seja o desenho que faz mais sentido para o PL em Minas — disse ao GLOBO.

Já a indicação do candidato a vice, que antes chegou a ser vista como opção para acomodar o PL, deverá ficar a cargo de Zema. Dentro do Novo, ele poderá escolher entre os nomes da vereadora de Belo Horizonte Fernanda Altoé, amiga pessoal de Mateus, do ex-deputado Tiago Mitraud, descrito como um quadro técnico do partido, e de Gleidson Azevedo, prefeito de Divinópolis e irmão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos).

O parlamentar tem expressado a intenção de também concorrer ao governo de Minas e desempenhado acima de Simões nas pesquisas. Procurado pelo GLOBO, Gleidson disse que "aceitaria o desafio", mas só se o irmão não for candidato.